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Tânia foi mãe de Francisco um mês de completar 36 anos DR
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A crise é o maior obstáculo, refere Catarina Rodrigues, de 30 anos DR

Mães adiadas por culpa da crise

No Dia da Mãe, recolhemos testemunhos de mulheres que adiaram a maternidade por um motivo em comum e, provavelmente, o mais frequente dos últimos tempos: a crise

É cada vez maior o número de mulheres que tem adiado a maternidade. Situações laborais precárias e especialmente instáveis explicam muitas vezes o facto. Catarina Rodrigues, nome fictício, tem 30 anos. Ser mãe nunca foi um sonho, mas o desejo, curiosamente, tem-na acompanhado nos últimos anos.

E tal como muitas outras mulheres, não pode. A culpa? É da crise, “sem dúvida o maior obstáculo”, refere ao P3 numa entrevista por e-mail.

A residir em Paris com o companheiro, Catarina, socióloga e bolseira FCT, afirma ser “imperioso encontrar uma continuidade profissional” ainda antes de ser mãe.

“Gostava de ter um emprego estável e poder viver a maternidade sem o fantasma do desemprego, da precariedade, ou da corda ao pescoço ao fim do mês. Acho que esse tipo de segurança é impossível de oferecer a um filho neste momento”.

Maternidade tardia

Já Tânia Leão, também socióloga, decidiu ser mãe apesar de todas as contrapartidas e, em particular, de experienciar uma situação de grande instabilidade profissional.

Quando concluiu a licenciatura, em 2000, achava que conseguiria “um emprego mais ou menos estável” e aí, sim, cumpriria o sonho da maternidade.

“Ser mãe era uma inevitabilidade, eu sabia que ia ser mãe”, disse ao P3. Só não imaginava que fosse tão tarde, até porque, a idade ideal seria aos 30, "os antigos 20". Dada a conjuntura actual, o filho, Francisco, nasceu um mês antes de Tânia fazer 36 anos.

Agora, a dois meses de perder também ela a bolsa FCT, a portuense revela-se particularmente apreensiva: “Lida-se muito mal com a crise. Quem tem a sorte de ter uma base de apoio, neste caso os pais, é mais fácil… Mas tenho que acreditar que melhores tempos virão. Fazemos parte de uma população muito qualificada, não podemos pensar que não vamos conseguir melhor do que isto”, acrescenta.

E quando lhe traçámos um cenário imaginário de, como que por magia, poder voltar atrás no tempo, a resposta é clara: “Se fosse hoje talvez tivesse tido o meu filho mais cedo. Há três anos, para depois ter logo outro. Agora não, neste momento ter um segundo filho está absolutamente fora de questão”, termina.

Segundo o Público, Portugal tinha, em 2011, a quarta taxa mais baixa de natalidade dos países da União Europeia: 1,35 nados-vivos por mulher, ficam, obviamente, muito aquém dos 2,1 necessários para a substituição de gerações.