Ricardo Graça
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Ricardo Graça

Rastilho Records

Gostamos de inquéritos — e de música. Decidimos encostar à parede pequenas editoras portuguesas. A Rastilho Records é como o nome indica. E isso diz tudo

A Rastilho é como o nome indica. Dez minutos bastaram para Pedro Vindeirinho (foto acima) responder ao e-mail, ao inquérito, ao pedido de foto. Nada de paninhos quentes. Com Patrícia Martins forma esta editora, em brasa desde 1996, particularmente incandescente em 2013. "O que estamos a preparar para este ano ou já editámos este ano: a reedição do "Lisboa Mulata" dos Dead Combo em vinil vermelho; a reedição do vinil de Orelha Negra; os álbuns antigos de Mão Morta em vinil; o regresso dos lendários Crise Total; os discos novos de Sam Alone, Bro-X, Switchtense e Papercutz."

 

Ninguém vos disse que já não se vive da música?

PÚBLICO -
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Luís Octávio Costa e Amanda Ribeiro encostam à parede pequenas editoras portuguesas

Sim. O último a dizer-me isso foi o Vítor Gaspar, que teve a amabilidade de me ligar. Chegou tarde porque a minha querida mãe já o tinha dito há 17 anos atrás. Provei-lhe o contrário mas duvido que tenha ficado muito contente.

Escolheram o nome da vossa editora numa noitada de Scrabble?



O nome Rastilho foi escolhido numa cave bolorenta em Leiria. Estávamos a fazer as colagens para uma fanzine punk e o meu amigo P.A. virou-se para mim e disse "E que tal Rastilho?". Na altura não achei muita piada mas olhando agora para trás, dificilmente poderia ter arranjado um nome melhor para uma editora que teve (e ainda tem) raízes no movimento punk e no do-it-youself. Pena é acharem que eu sou o Nuno Rogeiro e pedirem-me sempre a opinião sobre atentados terroristas ou sobre o fabrico artesanal de bombas.

Que bandas de outra editora levariam para uma ilha deserta?

Hum, pergunta difícil. Levaria comigo o Brett Gurewitz da Epitaph e o Tim Armstrong da Hellcat. Basicamente para falarmos sobre as bandas que já editaram e como transformaram as suas editoras em referência mundiais. Levaria também o Elliott Smith e o Jeff Buckley se ainda estivessem entre nós (e não estão?).

A vossa editora tem sotaque?

Não há sotaque na zona centro. Pelo menos acentuado. Somos poliglotas e, concomitantemente, temos uma língua universal. Confusos? Basta olhar para o nosso catálogo para o perceber.

Quando é que foi a última vez que encheram os bolsos — e o ego?

O ego fica na capacidade máxima sempre que editamos um novo disco. Ou quando o mais pequeno "Rastilho" de apenas sete meses pega com curiosidade nos vinis que editamos. Quanto aos bolsos, prefiro não responder porque o Vítor Gaspar é meu amigo e é leitor assíduo do Público.

Um álbum também se come com os olhos. Quem é o verdadeiro artista?

Tantos artistas, tanto talento. Tantas horas de Photoshop. O João Diogo, o Samuel Lucas, o Sabotage Vektor, o Ramon Allstar. Nunca me esqueço que só tenho esta actividade porque existem bandas e designers talentosos que suportam a nossa actividade. Um eterno obrigado a eles.

Qual é o melhor sítio para ouvir música?

No meu caso, a conduzir. Sozinho.

E que tal uma piada seca?

Um dia disseram-me que pertencia à Associação Portuguesa de Satanismo. Quem me conhece, sabe que a cena mais satânica que posso fazer na vida é ouvir um disco de Burzum ou dos Ghost ao mesmo tempo que faço pataniscas de bacalhau. Penso que isso é o Santo Graal do satanismo, portanto confesso-me publicamente: sim, sou Satânico.

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