Lucro operacional nos transportes com aumento de preços e cortes no pessoal

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CP também melhorou contas

Apesar do resultado positivo de 4,6 milhões na operação, os prejuízos do sector chegam a 1536,1 milhões e o endividamento subiu 5,1%

As empresas públicas de transportes alcançaram um lucro operacional de 4,6 milhões de euros no ano passado, graças aos aumentos tarifários e a uma redução expressiva dos custos com pessoal, por via dos cortes salariais e da redução do número de trabalhadores. No entanto, os prejuízos continuam a disparar e o endividamento violou novamente os limites impostos pelo Governo.

De acordo com dados divulgados no relatório da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), relativo ao último trimestre de 2012, as sete empresas em causa (Metro de Lisboa, Carris, Metro do Porto, STCP, Transtejo, CP e Refer) reduziram as perdas operacionais em 101,5 milhões de euros, entre 2011 e 2012. E chegaram a Dezembro com um resultado operacional positivo de 4,6 milhões.

Este valor resulta da ponderação das receitas, da operação e de subsídios públicos, e das despesas, com pessoal e fornecimentos e serviços externos por exemplo, referindo-se ao EBITDA (resultados antes de juros, impostos, depreciações a amortizações). Não contabiliza, como acordado com a troika, alguns indicadores como os gastos extraordinários, como o pagamento de indemnizações a trabalhadores, ou os prejuízos financeiros das empresas com encargos associados a financiamento.

O relatório da DGTF permite concluir que a passagem de perdas operacionais de 96,9 milhões, em 2011, para um lucro operacional de 4,6 milhões, em 2012, foi possível graças a uma forte contenção de despesas, especialmente nos custos com pessoal. No espaço de um ano, esta rubrica registou uma redução de 57 milhões de euros, alcançando 328,2 milhões até Dezembro do ano passado.

Esta diminuição foi influenciada, em grande parte, pelos cortes salariais impostos no Orçamento do Estado para 2012, bem como pela eliminação dos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores (este ano poderá haver um agravamento devido ao chumbo do Constitucional ao corte de subsídios). Além disso, no ano passado saíram das empresas públicas de transportes cerca de mais de 2000 funcionários, diminuindo os encargos com remunerações.

Além da redução de custos, também o crescimento das receitas contribuiu para que o sector alcançasse um lucro operacional em 2012. Neste campo, a subida de 5,8% nos proveitos (para um total de 596 milhões de euros) foi possível graças aos aumentos tarifários que o actual Governo introduziu desde 2011 e que alcançaram uma média de 20%.

As vendas só não cresceram de forma mais expressiva porque as empresas públicas de transportes têm vindo a perder passageiros nos últimos meses. Situação que o executivo tem vindo a associar às greves e mais casos de fraude.

Apesar de o resultado operacional ter sido positivo em 2012, dando cumprimento a uma das metas acordadas com a troika no âmbito do programa de ajustamento do país, estas sete empresas continuam a acumular prejuízos, muito fruto das derrapagens nos indicadores financeiros. No ano passado, o sector gerou perdas de 1536,1 milhões de euros, ligeiramente acima dos 1535,2 milhões de 2011. A operação melhorou, mas as contas foram penalizadas por um agravamento dos resultados financeiros, responsáveis por prejuízos de 809,7 milhões.

Além disso, a dívida do sector continua a disparar, tendo alcançado 18,6 mil milhões em 2012, o que se traduziu num aumento homólogo de 5,1%, furando o limite de 5% imposto pelo Governo. Em algumas empresas, a escalada foi ainda maior, como aconteceu com a Refer, que registou uma subida de 6,5% no endividamento.