Gaspar responsabiliza PS por “buraco” dos swaps

Ministro das Finanças afirmou, numa audição no Parlamento, que o PS tem uma “incapacidade patológica em assumir as responsabilidades”.

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Vítor Gaspar, ministro das Finanças Miguel Manso

Vítor Gaspar acusou nesta terça-feira o Partido Socialista (PS) de ser responsável pela bomba-relógio criada nas contas das empresas públicas, na sequência da subscrição de produtos especulativos que acumularam perdas potenciais de 2600 milhões de euros e que foram subscritos entre 2003 e 2011.

“Verificou-se que muitos dos contratos permitiram às empresas públicas apresentar resultados positivos no curto prazo”, disse o ministro das Finanças numa audição no Parlamento, acrescentando que essa estratégia “reflecte um padrão de comportamento do Governo anterior”.

Vítor Gaspar aproveitou, aliás, para dar alguns exemplos, como “o crescimento da dívida do Sector Empresarial do Estado, que duplicou durante os seis anos de [Governo] PS”, frisando que se trata de “práticas reiteradas de desorçamentação que resultam agora em reclassificações” das empresas, incluindo no perímetro de consolidação das contas públicas.

Os deputados do PS, e em especial Pedro Marques, reagiram às afirmações do ministro, acusando-o de “ofensas gratuitas”, reacção a que Vítor Gaspar respondeu, afirmando que “o PS está em estado de negação”. O ministro das Finanças disse mesmo que o maior partido da oposição “demonstra uma incapacidade patológica em assumir as suas responsabilidades”, acrescentando que “a opacidade e a desorçamentação foram comportamentos sistemáticos do PS”.

O Governo tem vindo a afirmar que os chamados swaps tóxicos foram todos subscritos entre 2008 e 2011, período em que o PS estava no Governo, liderado por José Sócrates. Há, no entanto, um histórico de operações desde 2003, não se sabendo ainda quais foram consideradas especulativas pelo IGCP.