Enfrentar os males do stress

Estamos habituados a ver o stress como um conjunto de manifestações observáveis de fora, como as mãos a suar ou um "tremelicar". No entanto, algumas pessoas conseguem "contornar" estes e outros sintomas e aparentam uma calma que não sentem. Ao reconhecermos a experiência subjetiva, interior, estamos a assumir uma individualização que contraria a sociedade standardizada.

Vivemos tempos de crise e dificuldades. O stress das famílias aumentou e estamos preocupados com os efeitos emocionais destes dias. Não é tempo de abandonarmos a ideia de que a procura da felicidade é possível. As pessoas dominadas pelo stress interno vivem convencidas de que a vida é mesmo assim.

O ego, a entidade interna responsável pelo pensamento e decisões que favorecem a construção, quando o stress interno é elevado, sofre um processo de conversão à lógica da sobrevivência e produz ideias que a reforçam e que denominamos de ideias contraídas. A terapia sintónica visa reduzir o stress interno, criando uma atmosfera interna amena, através de técnicas originais, desenhadas em Portugal e totalmente testadas nos últimos quatro anos. Aplica-se a um vasto campo de problemas, como a dependência das drogas e do álcool, o stress pós-traumático, ataques de pânico, perturbações da ansiedade e as psicoses. Usa-se em terapias individuais, de grupo e familiares.

A busca da individualização e do subjetivo começa pela estimulação do pensamento simbólico, reconstruindo a narrativa perdida pelo comprometimento emocional. Por exemplo, na depressão, se pedimos à pessoa que se desenhe simbolicamente como uma criança feliz, podemos deparar-nos com um bloqueio e o símbolo não surge...

No entanto, como reação aos desapontamentos do passado e ao vazio resultante, a mesma pessoa pode ter desenvolvido uma devoção capaz de ocultar o sofrimento subjacente. Poderemos chamar a essa devoção uma relíquia e neste caso uma relíquia da camuflagem. Embora esteja triste, para os outros a pessoa parece divertida e descontraída. Mais uma vez, as manifestações exteriores de stress, percebidas pelos outros, são mínimas. As técnicas da terapia sintónica refletem a natureza de brandura de costumes e tolerância, habitualmente atribuídas à nossa cultura, mas nem por isso são menos eficazes. Pessoas à beira da falência pessoal, como são muitos dependentes de substâncias, todos os dias nos dão exemplos de que a reconstrução é alcançável.

Em 23, 24 e 25 de Maio, realiza-se no ISCE um congresso internacional sobre drogas e suas consequências. Neste fórum será apresentada a terapia sintónica a representantes da comunidade científica mundial. Será, julgamos nós, uma oportunidade para mostrarmos vitalidade e que apesar da crise, nos levantamos para criar novas técnicas psicoterapêuticas que podem ser exportadas e contribuírem para dar esperança e alívio aos seres humanos que sofrem por dentro.

Psicólogo clínico