Autarca de Olhão admite interditar trânsito a pesados nas estradas municipais

O presidente da Câmara de Olhão (PS) admitiu neste sábado interditar o trânsito a pesados nas estradas municipais do concelho para minimizar o impacto negativo que a circulação de pesados tem na cidade, atravessada pela Estrada Nacional (EN) 125.

"A situação é gravíssima em Olhão porque quanto mais trânsito sai da Via do Infante para a EN 125, maior é a poluição atmosférica, maior é o ruído, e a vida destas pessoas tem-se vindo a tornar num inferno", afirmou aos jornalistas Francisco Leal, que participou num protesto contra as portagens na Via do Infante (A22).

Segundo o autarca, a interdição não afectará os camiões que abastecem ou se dirigem às unidades industriais da cidade, aplicando-se apenas aos veículos que utilizem as estradas municipais do concelho como passagem, estando para isso previstas acções de fiscalização.

"Já que não nos ouvem, já que o secretário de Estado [dos Transportes] não nos ouve, há seis meses que temos pedida uma audiência com ele, pode ser que desta maneira façamos ouvir a nossa voz", sublinhou.

O protesto, organizado pela Comissão de Utentes da Via do Infante (CUVI) e pelo Moto Clube de Faro, juntou algumas centenas de carros e motos que durante aproximadamente uma hora percorreram dez quilómetros na EN 125, entre Faro e Olhão.

Um dos troços da EN 125 que atravessa Olhão é uma das principais avenidas da cidade, uma zona residencial onde vivem muitas centenas de famílias, afectadas diariamente pela circulação naquela estrada.

Francisco Leal criticou ainda o cancelamento da construção da variante a Olhão, que iria contribuir para desviar trânsito da cidade, argumentando que Olhão não pode "mais ser sacrificado" pelo atravessamento da EN 125.

De acordo com o socialista, a interdição significa que os condutores dos pesados que querem circular nas estradas nacionais tenham que sair em Tavira ou em Faro.

O autarca acrescentou que a medida poderá entrar em vigor nos próximos dois meses.Na marcha lenta participaram entre 200 a 300 motos, segundo Carlos Serra, do Moto Clube de Faro, bicicletas, carros e ainda um veículo de reboque com um carro acidentado e que ostentava faixas contras as portagens.