Governo de Nicolás Maduro promete guardar uma cela para opositor Henrique Capriles

O líder da oposição ao recém-empossado Presidente da Venezuela exigiu uma revisão exaustiva dos resultados eleitorais e foi ameaçado. Um cidadão americano foi detido, acusado de acções de espionagem para depor Governo de Maduro.

Governo da Venezuela diz que Henrique Capriles pode ser responsabilizado pelos violentos protestos pós-eleitorais
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Governo da Venezuela diz que Henrique Capriles pode ser responsabilizado pelos violentos protestos pós-eleitorais Leo Ramirez/AFP

A tensão voltou a subir na Venezuela nos últimos dias com o Governo do recém-empossado Nicolás Maduro a ameaçar prender o seu rival da oposição nas eleições presidenciais, do passado dia 14, Henrique Capriles, ligando-o aos protestos violentos que se seguiram à publicação dos resultados eleitorais. Também no final desta semana, foi detido um americano de 35 anos, Timothy Hallett Tracy, que Caracas acusa de ser um espião ao serviço dos Estados Unidos com a missão de provocar violência e desestabilizar o país.

Timothy Hallett e Henrique Capriles estariam assim ligados, mesmo que indirectamente, num mesmo objectivo de derrubar o executivo eleito de Maduro, segundo o Governo.

“A missão era levar-nos a uma guerra civil”, afirmou o ministro do Interior, Miguel Rodríguez, referindo-se a Timothy Hallet, que acusa de estar ao serviço da agência de espionagem dos Estados Unidos. Hallett foi detido no aeroporto de Caracas na quarta ou quinta-feira (a data exacta varia de acordo com a fonte), quando se preparava para sair da Venezuela, depois de o pai o aconselhar a partir face ao aumento da tensão pós-eleitoral.

Familiares e amigos de Timothy Hallett disseram à Associated Press que ele tem estado no país no último ano a realizar um documentário. “Eles não têm um agente na CIA sob custódia. Eles não têm um jornalista sob custódia. Eles têm um miúdo com uma câmara”, afirmou o seu amigo e associado Aengus James.

A tensão ressurgiu nestes dois últimos dias, depois de uma aparente acalmia durante a qual Maduro tomou posse e garantiu a realização de uma auditoria aos resultados contestados pela oposição de Capriles, mas num formato em que este não concorda e que ameaça boicotar não participando nela. 

Capriles, derrotado por apenas 2% dos resultados

, apurou as suas exigências nesta quinta-feira, explicando que quer um escrutínio exaustivo dos registos de assinaturas e impressões digitais dos eleitores que permita despistar eventuais casos de pessoas que votaram mais do que uma vez ou em nome de pessoas já falecidas. E diz que pode levar a sua contestação aos tribunais.

O conselho eleitoral não respondeu às novas exigências de Capriles. Quando aceitou avançar para uma auditoria aos resultados, o Governo de Maduro disse que estes eram “irreversíveis”. Esta semana, avançou com um inquérito parlamentar sobre os protestos pós-eleitorais em que nove pessoas morreram e 78 ficaram feridas, para apurar se Capriles deve ou não ser responsabilizado.

De Capriles, o presidente da Assembleia Nacional, onde decorre o inquérito, diz ser um “fascista assassino”. “As mortes [por ele] ordenadas não podem ficar impunes”, escreveu Diosdado Cabello no Twitter nesta quinta-feira, citado pelo jornal britânico The Guardian. “As investigações vão avançar.”

Enquanto avançam, também a ministra Iris Valera, com a pasta do sistema prisional, não parece ter dúvidas e acusa Capriles de ser “o autor intelectual destes crimes”, e promete guardar uma cela na prisão para ele.