Quase metade da população de Nova Iorque vive na pobreza ou perto dela

Percentagem de pobres aumentou entre 2008 e 2011, apesar de haver menos pessoas desempregadas.

Foto

De acordo com um relatório da Câmara Municipal de Nova Iorque, nos Estados Unidos, cerca de 46% da população daquela cidade era, em 2011, pobre ou quase-pobre.

A autarquia nova-iorquina considera pobreza quando uma família de dois adultos e duas crianças ganham menos de 30.949 dólares anuais (cerca de 23.800 euros). Em 2011, estavam nesta situação 21,3% das pessoas de Nova Iorque. Na situação de quase-pobreza — com mais de 30.949 dólares e menos de 46.416 por ano — vive 24,6% da população.

A definição de pobreza para a cidade de Nova Iorque é diferente da que vigora nos Estados Unidos, cujo limite são 22.811 dólares anuais (cerca de 17.500 euros). Isto deve-se ao facto de o custo de vida ser significativamente maior na Big Apple do que relativamente ao resto do país. Os actuais parâmetros para a consideração do que é ou não pobreza foram definidos em 2006 pela Comissão para as Oportunidades Económicas (COE).

Apesar de a taxa de pessoas empregadas ter aumentado entre 2010 e 2011, a pobreza na cidade cresceu em média quatro pontos percentuais entre 2008 e 2011. Os bairros mais afectados foram Queens (21,2% de pobres) e Staten Island (15,3%, tendo resgistado um aumento de 3,9% no espaço de quatro anos). Bronx continua a ser, contudo, a zona mais afectada pela pobreza, com 26% de população nesta situação.

“A cidade que vemos em 2011 está num momento de mudança”, disse o autor do estudo, Mark Levitan, responsável pela COE, ao New York Times. “Entre 2008 e 2010, a cidade estava profundamente imersa na recessão. Em 2011, não demos a volta aos problemas, mas isso poderá acontecer brevemente”, acrescentou.

O estudo conclui que os apoios dados pela Câmara e o Estado de Nova Iorque — alguns dos quais criticados — têm contribuído para manter a pobreza nos níveis actuais. Mark Levitan pensa mesmo que, se não houvesse senhas para comida, por exemplo, seria 25% a percentagem de pobres e não 21,3%.

“Para já, estou optimista. Mas a longo prazo, vejo nuvens de tempestade com pressão tremenda para a austeridade”, disse o responsável.