Manifestação convocada pela Net vai exigir que a Feira do Livro do Porto se realize

Protesto foi marcado via Facebook para as 18h de sexta-feira, na Praça da Liberdade. Tem por lema "Queremos a Feira do Livro do Porto!"

A Câmara do Porto e a APEL não chegaram a acordo sobre o financiamento da feira deste ano
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A Câmara do Porto e a APEL não chegaram a acordo sobre o financiamento da feira deste ano PAULO RICCA

Já há algum tempo que a soprano Ana Maria Pinto deixou de se indignar em silêncio.

Foi dela a voz que levou o tema Firmeza, de Fernando Lopes-Graça, às comemorações do 5 de Outubro, em Lisboa. E que, a 21 de Setembro, estivera na génese do movimento Acordai, que levou esta outra música do maestro e compositor às portas do Palácio de Belém. A norte, criou o Coro de Intervenção do Porto e é por causa do cancelamento da 83.ª edição da Feira do Livro da cidade que a sua voz se volta a erguer.

Através do Facebook lançou o evento "Queremos a Feira do Livro do Porto!" e há centenas que já prometeram juntar-se a ela.

A ideia nasceu no domingo - organizar um protesto contra o cancelamento da Feira do Livro, anunciado na semana passada pela Câmara do Porto e pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), depois de as duas entidades não terem conseguido chegar a acordo sobre o financiamento do evento. O protesto, marcado para sexta-feira, às 18h, na Praça da Liberdade, começou por designar-se Contra o Cancelamento da Feira do Livro do Porto, mas Ana Maria acabaria por lhe mudar o nome, porque o que ela quer mesmo é exigir que a feira continue e não assumir-se "contra" qualquer coisa. "É absolutamente inadmissível que se interrompa uma feira com mais de 80 anos. Não se faz. Ela faz parte de uma tradição, para mim. Vou lá desde que comecei a ler literatura, faz parte da minha vida e sinto que estão a tirar-nos parte da nossa vida", explica.

No Facebook, onde, ao final da tarde de ontem, mais de 580 pessoas já tinham confirmado a presença no protesto, Ana Maria justificava a iniciativa com um texto curto: "Cancelar a Feira do Livro do Porto é simplesmente inaceitável! O Coro de Intervenção do Porto faz questão de não deixar passar em branco esta medida, usando precisamente a cultura como arma - que insistem em nos tirar! A iniciativa tem como propósito a defesa da feira do livro, e é independente de qualquer conflito que tenha gerado o seu cancelamento. Estaremos em protesto na Praça da Liberdade e apelamos a todos que se juntem a nós!". Num post colocado pela soprano, explicava-se: "Serão cantadas canções e ditos poemas! Tragam poemas, textos, terão um megafone à disposição! É inadmissível que nos roubem a cultura!".

O megafone de Ana Maria já começa a ser conhecido de vários protestos. No início de Janeiro, criou o Coro de Intervenção do Porto e na manifestação de 2 de Março lá esteve Ana Maria, acompanhada do megafone, e dos cerca de 30 membros do coro que, às terças e quintas-feiras, se juntam para ensaiar no Grupo Musical de Miragaia. Querem "fazer da rua o seu palco", explica a soprano, por isso, que ninguém se admire de os ver por aí.

Quanto à falta de entendimento entre a câmara e a APEL, Ana Maria Pinto admite ter poucos dados e limita-se a comentar: "Não me parece que o que se passa nos meandros [da negociação] seja assim tão claro e evidente".

O cancelamento da Feira do Livro do Porto de 2013 foi anunciado na semana passada. A Associação Portuguesa de Escritores já defendeu que a decisão "não faz o menor sentido". A 19 de Abril, foi também criado no Facebook, por anónimos, o perfil Quero a Feira do Livro do Porto de Volta. Troco pelo Circuito da Boavista.