Barcelona humilhado em Munique e Bayern a um pequeno passo da final

Müller, com dois golos e uma assistência, foi uma das grandes figuras da equipa alemã, que vingou a goleada sofrida na Catalunha em 2008-09 e está muito perto de voltar a uma final da Champions.

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Michaela Rehle/Reuters

Não restam dúvidas de que o Barcelona é uma equipa extraordinária, provavelmente uma das melhores de sempre da história do futebol. Provou isso mesmo nos oitavos-de-final desta Liga dos Campeões, quando transformou uma derrota por 2-0 frente ao AC Milan, em Itália, num triunfo por 4-0, na Catalunha, seguindo em frente na prova. Mas depois da humilhação desta terça-feira em Munique, onde sofreu uma goleada por 4-0, poucos acreditarão no milagre em Camp Nou, no dia 1 de Maio. Mas se alguém o conseguisse seria o Barcelona de Messi, que esteve irreconhecível, tal como a sua estrela maior.

A perderem por 1-0 ao intervalo, nada prepararia os jogadores catalães para o inferno que iriam viver na segunda metade do primeiro jogo das meias-finais da Champions. Em Munique, toda a arte individual e colectiva da equipa espanhola foi antecipada e anulada pelo Bayern. Com mais três golpes mortais na segunda parte, os bávaros deixaram praticamente resolvida a presença na final de Wembley, no próximo dia 25 de Maio. Müller foi a grande figura do encontro, com dois golos e uma assistência para outro de Mario Gomez.

Apesar deste desfecho, o respeito mútuo marcou a primeira parte da partida na Allianz Arena. De um lado, um Bayern mais perigoso, que apostava em rápidas transições atacantes para surpreender os espanhóis, sem nunca perder o equilíbrio defensivo; do outro, um Barcelona que procurava pausar o ritmo da partida, especialmente nos momentos iniciais, escondendo a bola do adversário, mas sem qualquer objectividade ofensiva.

As emoções dos primeiros 45’ foram pontuais, mas invariavelmente na área catalã. Logo aos 2’, um remate de Robben foi travado por Valdés, que não conseguiu evitar, aos 25’, o golo do adversário. Uma vantagem que surgiu após um lance de bola parada e quando os catalães pareciam ter adormecido a partida e parcialmente o adversário. Ribéry cobrou um canto, acabando a bola por ser metida na área por Robben, antes de o defesa central Dante assistir Müller, que cabeceou para as redes.

A vantagem premiava a equipa mais perigosa em campo, que teve o mérito de nunca se desconcentrar ou ceder perante o futebol rendilhado de passes constantes dos espanhóis, mas pouco objectivo. O Bayern pode ainda queixar-se de dois lances polémicos na área adversária. No primeiro, aos 15’, Piqué desviou claramente a bola com o braço; o segundo, que deixa mais dúvidas, teve a mão de Alexis como protagonista. Nenhum dos lances foi sancionado pelo árbitro Viktor Kassai. O juiz húngaro seria ainda protagonista em dois outros lances determinantes na segunda metade, que, desta feita, acabaram em golos.

Empenhado em levar uma vantagem mais confortável para Barcelona, o Bayern reentrou personalizado, empurrando o adversário para a sua área. Aos 49’, mais uma vez na sequência de um canto, Müller volta a ganhar nas alturas à defesa espanhola (Daniel Alves) e coloca a bola de cabeça nos pés do avançado Mario Gomez, que aponta o segundo, mas aparentemente em fora-de-jogo.
Mais óbvia foi a falha do árbitro no terceiro golo alemão, aos 73’. Uma grande jogada de contra-ataque conduzida por Ribéry, com a bola a acabar em Robben que, com uma finta magistral, tirou um adversário da frente, e marcou. O adversário era Jordi Alba, que acabou por ser completamente retirado da jogada com um bloqueio claro de Müller.

Irreconhecível, o Barça foi incapaz de construir um lance claro de golo em todo o encontro e muitos menos contrariar a organização e solidariedade defensiva alemã. O Bayern cedeu a posse de bola aos catalães (63% contra 37%), mas não a agressividade, concentração e eficácia. Aos 82’, para tornar tudo ainda mais humilhante para o conjunto espanhol, Müller encerrou a contagem, após um cruzamento do lateral esquerdo Alaba.

Foi uma vingança eficaz do Bayern Munique, que há precisamente quatro anos foi brindado com uma goleada pelos mesmos números em Camp Nou, acabando depois por empatar a uma bola, em Munique, na segunda mão, sem ser capaz de evitar o afastamento dos quartos-de-final da prova.