Um quinto dos portugueses desvaloriza a vacinação

Apifarma considera que estudo é "motivo de alerta".

Adelaide Carneiro/ Público
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Adelaide Carneiro/ Público

Um quinto da população portuguesa desvaloriza a vacinação por considerar que “há doenças que já estão a desaparecer”, concluiu o estudo “O Valor das Vacinas e da Vacinação, divulgado nesta segunda-feira.

Apesar da maioria da população portuguesa reconhecer a importância ao acto de vacinação, 20% dos inquiridos diz não saber se tem todas as vacinas feitas. Os dados apontam que 20% das pessoas desvalorizam a vacinação, sendo que 11% destes acreditam ainda que algumas vacinas têm mais riscos associados do que benefícios. O comunicado da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) classifica este resultado como um “motivo de alerta”.

Observou-se também que dois em cada três dos pais de menores de 13 anos não sabem qual foi a última vacinação dos filhos. Metade deles revelou também não ter conhecimento de quais as próximas vacinas que a criança terá de tomar. No entanto, apenas 4% destes admite que a vacinação do filho não está em dia.

Já os profissionais de saúde, nove em cada 10 crêem no contributo das vacinas para a erradicação de doenças a nível mundial e 99% consideram o Programa Nacional de Vacinação (PNV) um “sucesso”.

Contudo, os médicos identificaram algumas lacunas no PNV relativamente às vacinas e à sua abrangência. Quase todos os pediatras inquiridos acrescentariam ao Plano Nacional de Saúde a vacina anti-pneumocócica, enquanto apenas 40% deles adicionavam a inoculação contra o rotavírus.

Relativamente aos grupos abrangidos pelo PNV, 58% dos profissionais de Pediatria admite um alargamento da vacina contra o vírus do papiloma humano a rapazes, sendo que 48% dos médicos de Clínica Geral sugerem um alargamento da idade desta vacinação.

A Apifarma conclui que os resultados do cumprimento do programa de vacinação são positivos. Todavia frisa uma preocupação relativamente ao conhecimento da população sobre o PNV e as doenças evitáveis através da vacinação.

No sentido de aumentar a sensibilização desta população, alerta assim os profissionais de saúde para que prestem uma acção continuada de informação aos seus doentes sobre a vacinação.

O inquérito da Comissão Especializada de Vacinas da Apifarma conduziu 1994 entrevistas, 627 das quais a pais que têm filhos com idades até aos 13 anos. Foram também questionados 200 profissionais de saúde - 120 médicos de clínica geral, que observam mensalmente 15 ou mais crianças até aos 13 anos, e 80 pediatras.

Dados publicados pela Direcção-Geral de Saúde, no Boletim de Vacinação deste mês, indicam que a cobertura vacinal na infância é elevada, tendo registado um ligeiro aumento de 2011 para 2012. No entanto, é referido ser necessário resolver assimetrias a nível local. Já a vacinação adulta é, segundo o boletim, subestimada por "lacunas nos registos", admitindo contudo haver ainda espaço para melhorias.