Beppe Grillo convoca comício em Roma contra reeleição de Napolitano

O líder do Movimento 5 Estrelas acabou por não aparecer no protesto de ontem por ter medo que a sua presença favorecesse a violência.

Grillo em conferência de imprensa este domingo em Roma
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Grillo em conferência de imprensa este domingo em Roma ALBERTO PIZZOLI/AFP

O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S) italiano, Beppe Grillo, convocou os seus apoiantes para um comício esta tarde em Roma contra a reeleição do Presidente Giorgio Napolitano, que o humorista classificou como um “golpe institucional”.

O Presidente foi ontem reeleito para um segundo mandato de sete anos – naquela que foi a primeira vez na história da Itália em que um chefe de Estado foi reconduzido nas suas funções –, depois de cinco votações no parlamento terem falhado em produzir um sucessor, e comprovado o impasse político em que caiu o país.

Imediatamente após a votação que confirmou a reeleição de Napolitano por uma larga maioria, Grillo anunciou aos seus seguidores do Twitter que estava a caminho de Roma, para o que esperava ser uma grande concentração na Praça Montecitorio contra o que então designou como um “golpe de Estado”. Várias centenas de pessoas responderam ao seu apelo ao protesto, mas o líder do M5S nunca chegou a aparecer. “Tive medo que a minha presença pudesse favorecer a violência”, explicou.

Esta manhã, Beppe Grillo voltou à carga: desta vez, chamou a população para um comício “para dizer basta a esta vergonha”. “Não é uma marcha sobre Roma”, esclareceu, “é um encontro de cidadãos” descontentes com este “momento estranho”.

“Ontem assistimos a algo que nos querem convencer que é normal: reuniram-se quatro pessoas, Bersani, Berlusconi, Monti e Napolitano, e na máxima das transparências decidiram que um mandato de sete anos estava renovado”, explicou.

Beppe grillo referia-se a um encontro no Quirinale, no final de mais uma votação falhada no parlamento. O presidente do Partido Democrático, Pier-Luigi Bersani, que venceu as legislativas à frente da coligação de centro-esquerda, acompanhado pelo ex primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e o actual chefe do executivo de tecnocratas, Mario Monti, pediram ao Presidente, de 87 anos de idade, para aceitar manter-se no cargo.

“Nem Chávez esteve 14 anos no poder”, assinalou Grillo.

A tomada de posse de Giorgio Napolitano foi marcada para amanhã.