Ministro da Defesa quer aviões da Força Aérea a combater incêndios

Aguiar Branco diz que já discutiu essa possibilidade com o ministro da Administração Interna.

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Aguiar-Branco diz pretender apenas clarificar a lei Raquel Esperança

O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, disse na quinta-feira à noite que há todo o interesse em empenhar aviões da Força Aérea no combate aos incêndios, cenário já discutido com o ministro da Administração Interna e com o chefe do ramo militar.

“É uma situação que já foi objecto de análise entre mim e o senhor ministro da Administração Interna, onde também esteve o senhor general CEMFA [Chefe do Estado-Maior da Força Aérea]. Temos todo o interesse em poder aproveitar realmente este equipamento [avião C-295] para essa valência”, salientou José Pedro Aguiar-Branco, na Base Aérea n.º6 no Montijo, após acompanhar uma missão nocturna de vigilância e fiscalização a bordo da aeronave.

Durante um briefing que antecedeu o embarque, o CEMFA, general José Pinheiro, afirmou que o C-295 e o P3-C têm capacidade e podem ser empenhados em missões de “combate aos fogos” e na “ajuda na coordenação” das operações.

O oficial acrescentou que os meios servem para operar “em benefício” das pessoas e para “cumprir as missões da melhor maneira”.

Após o voo de cerca de duas horas e meia a bordo do C-295, o ministro da Defesa ficou impressionado com as “capacidades e o enorme potencial” do avião, que, segundo o governante, “justificaram a sua aquisição” em 2007.

“Demonstra que é uma mais-valia nas várias funções que pode desempenhar. Quer em missões de vigilância, de monitorização e de controlo, como a que tive a possibilidade de assistir, e que são muito importantes para a Força Aérea, para as Forças Armadas e até para a interoperabilidade conjunta que pode ter com outras forças de segurança”, frisou Aguiar-Branco.

Questionado pelos jornalistas sobre os cortes que terá de fazer este ano no seu ministério, Aguiar Branco escusou-se a revelar o valor em causa e remeteu essa informação para quando for conhecido o Orçamento Rectificativo.

A bordo do helicóptero seguiram igualmente o director nacional da Polícia Judiciária, Almeida Rodrigues, o presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), general Manuel Couto, e o comandante da Unidade de Controlo Costeiro da GNR, general José Fonseca.

No início de 2007 o Governo português assinou a compra de 12 aeronaves C-295 para substituir os aparelhos C-212 Aviocar, então sediados na Base Aérea n.º 1, em Sintra. Sete destes aviões estão configurados para transporte aéreo táctico e os restantes cinco para vigilância marítima.

Em 2009 deu-se a transferência da esquadra para a Base Aérea n.º 6 (Montijo), onde em Fevereiro desse ano aterrou o primeiro C-295.