Louxor: renasce a sala de cinema mais mítica de Paris

Em Paris as salas de cinema não fecham, renascem. Abandonada desde os anos 1980, templo da art déco, reabre sexta-feira em Paris a sala de cinema Louxor. Recuperada pela câmara da cidade é agora vista como símbolo de uma nova vida para os cinemas de Paris.

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O cinema em 1953 DR
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O Louxor tem agora três salas para o tornar mais rentável DR

A emblemática sala de cinema Louxour, em Paris, um edifício neo-egípcio construído no início do século XX reabre na sexta-feira, depois de dois anos e meio de obras. É um caso contracorrente, mesmo numa cidade como Paris, onde existe uma relação especial com o cinema.

Nos últimos tempos quando se fala de salas de cinema, em Portugal mas não só, as notícias reportam-se a encerramentos, degradação dos imóveis ou aquisição de edifícios emblemáticos, e não tanto de recuperações.

Em Paris, a reabertura da sala (situada no nº 170 do boulevard de Magenta, 10º bairro), é vista como símbolo de nova vida e de pujança para os cinemas da cidade, em reacção aos espaços incaracterísticos, sem qualquer tipo de referência emocional. Ou seja, forma de reavivar a experiência social do cinema, em salas com história e pensadas a partir das características do conforto contemporâneo.

A sala agora recuperada voltará a exibir filmes contemporâneos e clássicos. A iniciativa pertenceu à câmara da cidade que resolveu investir 25 milhões de euros no espaço, devolvendo-lhe a firmeza, cor, mosaicos, frisos, colunas e a fachada, que conserva a inscrição “Louxor – Palais du Cinéma”. As obras começaram em 2010, pela mão do arquitecto Philippe Pumain [ver entrevista em baixo], que tentou respeitar o espírito original do lugar.

O Louxor original, de 1921, dispunha apenas de uma sala, onde podiam acomodar-se mais de 1000 pessoas. Agora conta com três, uma das formas de rentabilizar o espaço. A maior – baptizada Youssef Chahine, em memória do realizador egípcio que morreu em 2008 – está situada no mesmo lugar, mas contempla agora apenas 340 lugares, porque se privilegiou o conforto, segundo o arquitecto. As outras duas salas são mais pequenas (para 74 e 140 espectadores, respectivamente)

Idealizado em 1921 pelo arquitecto Henri Zipcy, a sala viria a ser adquirida em 1929 pela Sociedade Pathé, que ali projectaria filmes de Georges Méliès e as últimas tendências americanas. Abandonado desde 1987, apesar de em 1981 a fachada ter passado a fazer parte do inventário dos Monumentos Históricos franceses, acabou por ser adquirido pela câmara em 2003.

No início de 2010 começaram os trabalhos de restauro e em 2012 foi atribuída a exploração do edifício à sociedade CinéLouxor, com direcção de Emmanuel Papillon, que já afirmou que a programação não será apenas para cinéfilos, contemplando também o grande público. Para já, sexta-feira, ali se estreará o último filme de Wong Kar-Wai, The Grandmaster.


Visite du Louxor, futur cinéma de Barbès por mairiedeparis