Sete mortos em protestos após proclamação de Maduro como Presidente da Venezuela

Apoiantes de Capriles saíram para as ruas em protesto e as autoridades acusam-nos pelas mortes. Governo português felicita o sucessor de Chávez.

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Apoiantes de Capriles nas ruas de Caracas Christian Veron/Reuters
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Nicolás Maduro foi oficialmente declarado vencedor nas eleições presidenciais da Venezuela, com 50,7% dos votos. Os apoiantes de Henrique Capriles, que contestou o resultado revelado pela autoridade eleitoral e que lhe atribui 49,1% da votação, saíram às ruas de Caracas em protesto na noite de segunda-feira. As manifestações tornaram-se violentas e sete pessoas morreram, segundo o último balanço.

Após o anúncio oficial de Nicolás Maduro como novo Presidente venezuelano, registaram-se confrontos entre a polícia e os apoiantes de Henrique Capriles, que as autoridades procuraram desmobilizar lançando gás lacrimogénio, segundo a AFP. De acordo com a procuradora-geral Luisa Ortega Diaz, sete pessoas morreram nas ruas, tendo outras 61 ficado feridas. 

A responsável, que acusa a oposição pela violência, adiantou ainda que 135 pessoas foram detidas nas últimas horas.

O deputado Freddy Bernal, deputado do partido no poder, presidente da Comissão de Política Interna, acusou opositores de "assassinarem sete pessoas". 

O Presidente do Sintrapel (Sindicato dos Trabalhadores do Poder Eleitoral), Reinaldo Corales, acusou também a oposição de incitamento à violência e responsabilizou Capriles por tudo o que possa acontecer à integridade física de qualquer dos funcionários da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e à sua família.

Segundo Corales, a violência foi dirigida contra as casas da presidente e de funcionários da CNE. 

Capriles pediu uma recontagem dos votos antes da divulgação dos resultados finais e apelou à realização de manifestações com "concertos de caçarolas" - que os manifestantes levassem tachos para a rua e batessem “com força” contra a proclamação de vitória de Maduro. E assim foi, quando o Conselho Nacional Eleitoral deu como certa a sucessão de Hugo Chávez e a eleição para o cargo do homem que este desejava ver na Presidência da República.

“Este país pede ordem e paz e eu sou um construtor do progresso”, disse o líder da oposição ao "chavismo", numa conferência de imprensa em Caracas. A oposição denunciou mais de 3200 irregularidades.

A Venezuela é vista pelos analistas como um país quase dividido ao meio, num ambiente de polarização e crispação política em que o herdeiro oficial da “revolução socialista bolivariana” fica, com este resultado, numa posição enfraquecida.

O Governo português felicita a vitória de Maduro nas eleições de domingo. Em comunicado, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, saúda “o povo venezuelano pela elevada participação no escrutínio presidencial”, sublinhando o seu “comportamento cívico e pacífico” durante o acto eleitoral. Portas deixa uma palavra à comunidade portuguesa a residir na Venezuela e “faz votos” para que, depois da fase eleitoral, o país “possa viver um clima de paz e diálogo democrática”.

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