Moradores entregam à Câmara de Lisboa projecto de reabilitação do Bairro Azul

Habitantes do bairro acreditam que modelo de valorização turística desta zona podia ser alargado a outros pontos da cidade

O Bairro já é uma zona onde apenas se circula a 30 Km/hora
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O Bairro já é uma zona onde apenas se circula a 30 Km/hora Shamila Mussa

Cerca de 50 moradores e comerciantes do Bairro Azul, em Lisboa, enviaram ao presidente da Câmara um projeto de reabilitação da zona para valorizar a sua vertente turística e, consequentemente, impulsionar o comércio local.

“O Bairro Azul foi o primeiro a ser classificado como ‘conjunto urbano de interesse municipal’ e dos poucos da época déco/modernista que se mantém intacto. É muito central e está rodeado de grandes equipamentos e jardins, todos eles desenhados pelo arquiteto Ribeiro Telles, mas precisa de um plano de valorização para se tornar mais atrativo turisticamente”, disse à agência Lusa a coordenadora da Comissão de Moradores do bairro, Ana Alves de Sousa.

Por isso, cerca de meia centena de moradores e comerciantes do Bairro Azul -- na envolvente da mesquita de Lisboa, freguesia de São Sebastião da Pedreira - entregaram, na segunda-feira, um Projeto Global de Requalificação e Revitalização da zona, que contém ideias que têm sido apresentadas aos sucessivos executivos nos últimos dez anos.

Para comerciantes e moradores, o pequeno comércio do bairro “está em causa” e “precisa de um impulso”, que poderia partir de uma “valorização da arquitectura” déco e modernista da zona.

O projecto de requalificação, a que a Lusa teve acesso, propõe a divulgação do Bairro Azul como o “Bairro Déco/Modernista Património de Lisboa” e a sua requalificação, nomeadamente pela reabilitação do edificado e do espaço público.

“O nome Bairro Azul advém dos gradeamentos e persianas da zona, que eram todas azuis. Fazia sentido que a Câmara de Lisboa fizesse um ‘manual de boas práticas’, definindo paletes de cor, materiais e possíveis intervenções, para não desvalorizar o bairro”, sugeriu Ana Alves de Sousa.

Já no que diz respeito à reabilitação do espaço público, e depois da classificação do bairro como "Zona 30" (onde não é possível circular a mais de 30 quilómetros por hora), a Comissão de Moradores propõe a “libertação do atravessamento automóvel” e a conclusão do estacionamento para moradores num silo automóvel, que desde 2009 tem “conclusão para breve”.

Moradores e comerciantes pedem ainda a construção de um parque infantil, o aumento do policiamento de proximidade, mais ecopontos (enterrados) e o reforço da limpeza diária das ruas.

Para a divulgação do Bairro Azul e a atracção de visitantes e, consequentemente, a dinamização do comércio, o projecto de reabilitação propõe a realização de uma exposição, a edição de uma monografia, a realização de feiras e a venda de artigos sobre a zona.

“Não temos estimativa para o investimento necessário. Mas as medidas não têm de ser implementadas todas ao mesmo tempo. O que é prioritário é a requalificação do espaço público, das ruas e dos passeios, alguma requalificação dos edifícios e a divulgação do azul como a imagem do bairro. Mas tudo isso poderia ir sendo feito de uma forma faseada à medida que fossemos arranjando patrocínios”, admitiu Ana Alves de Sousa.

A coordenadora considerou que seria “interessante formar uma equipa liderada pela Câmara de Lisboa” que integrasse elementos da autarquia, moradores e comerciantes do bairro, tal como mecenas e patrocinadores, “talvez provenientes dos equipamentos da zona”, da Universidade Nova, à Fundação Gulbenkian ou ao El Corte Inglés.

“É um projecto global para aquilo que achamos ideal para o bairro, mas também para a cidade. Se o bairro azul fosse valorizado e se este modelo funcionasse noutros bairros seria bom para a requalificação de Lisboa”, sublinhou. Em ano de eleições autárquicas, moradores e comerciantes esperam que, passados mais de dez anos dos pedidos de requalificação e divulgação do bairro, o executivo municipal avance com este projecto.