The National: a crescer até Maio

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PAULO PIMENTA

É o disco mais baladeiro desde Sad Songs For Dirty Lovers, de 2003.

Foi em Berlim que, nos primeiros dias de Abril, os National iniciaram a contagem decrescente para a muito ansiada nova colecção de canções, uma ânsia exponenciada não só pela qualidade de High Violet, o disco anterior, como pelo facto de já passarem três anos desde esse álbum. Uma série de canções já andam a ser rodadas ao vivo. Das cinco que já se conheciam, Graceless, I need my girl, Humiliation, I should live in salt, e Rylan, as quatro primeiras entram em Trouble Will Find Me, o que há-de deixar alguns fãs desolados, tendo em conta que Rylan já tinha ganho um certo número de fãs. Graceless parece já ter entrado no imaginário popular, ao ponto de uma centena de almas já conhecerem cada palavra da letra. Empenhados em serem o que os U2 deviam ter sido se não se tivessem tornado demasiado aborrecidos, os National arrendaram um hotel em Berlim, que encheram de jornalistas durante três dias, ofereceram bebida e salsichas, deram entrevistas, passearam, comeram e beberam com fãs e espalharam charme - todos à excepção de Matt Berninger, que se remeteu ao quarto do hotel. Pelo meio ainda deram um concerto em que apresentaram Trouble Will Find Me.

A diferença na recepção foi notória: a malta gramou mais de quando as guitarras fizeram barulho e Berninger berrou, elementos quase ausentes de Trouble Will Find Me, o disco mais baladeiro desde Sad Songs For Dirty Lovers, de 2003. Ainda assim não é um disco fácil - Aaron Dressner, um dos gémeos das guitarras, defende que é o disco de escrita mais complexa dos National e dá como exemplo I should live in salt, escrita num tempo incomum, um 7/8 com um ataque à guitarra antes do refrão que engasga a canção. Conta que escreveu na esperança de ver o tema passar na rádio e as pessoas não saberem quando o refrão chega. O irmão diz que ele "fodeu a canção" com aquele ataque extra. Scott Devendorf, baixista, diz que o disco até motorika [o ritmo do krautrock] tem, mas é só uma caixa de ritmos repetitiva num tema. Ser parte dos National não deve ser fácil: nervoso ao ponto de nos pedir que se o concerto corresse mal lhe mentíssemos, Aaron confessou que ainda não engoliu High Violet por completo; os membros da banda parecem dividir-se acerca das canções que mais gostam. A ambição, no entanto, mantém-se: querem fazer canções pop tão grandes e importantes quando as dos Pixies ou de Leonard Cohen.

É notório que o que ouvimos em disco vai mudar ao vivo: as canções estão a crescer. Tendo em conta que todos os discos dos National demoram dois meses a entrar, é possível que quando Trouble Will Find Me sair já gostemos de todas as canções. Por enquanto soa a um conjunto de lados B de Alligator e de Boxer sem explosão e com um par de canções admiráveis. Mas como dizia Aaron Dressner: "It will grow on you".