Sporting acusa banca de pôr em causa o futebol profissional do clube

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Bruno de Carvalho não está a conseguir convencer a banca ENRIC VIVES-RUBIO

Nova direcção dos "leões" continua sem verba para liquidar os ordenados relativos a Março.

A nova direcção do Sporting não chegou a acordo com o BES e o Millennium BCP para a abertura de uma linha de financiamento destinada a suprir as necessidades de tesouraria até ao final da próxima temporada. O clube de Alvalade considera insuficientes os 40 milhões propostos pela banca e discorda de alguns pontos do plano de reestruturação da dívida, considerando que este impasse pode provocar o colapso do futebol profissional do clube. Hoje, Bruno de Carvalho fará um balanço público das negociações.

Durante a campanha eleitoral, no último mês de Março, todos os candidatos à presidência do Sporting estiveram reunidos com os parceiros financeiros do clube e anunciaram ter recebido garantias para enfrentar os problemas prementes de tesouraria. Poucas semanas depois, as negociações abortaram. Em causa estão os valores do financiamento, mas não só. Segundo o PÚBLICO apurou junto de fontes próximas do processo, os "leões" não concordam com o montante proposto pela banca e esta recusa-se a aproximar-se dos valores exigidos pelo clube, que podem chegar aos 80 milhões de euros. Tudo para responder às necessidades de tesouraria do próximo ano e meio.

Para os dois bancos credores, o limite do financiamento não poderá ultrapassar os 40 milhões de euros. Um valor que consideram razoável face ao actual contexto económico e financeiro que o país atravessa e, sobretudo, à conjuntura específica de crise em que vive o clube de Alvalade, a braços com uma dívida bancária já volumosa.

Este crédito adicional proposto pela banca teria de ser enquadrado no âmbito da reestruturação da dívida que terá sido negociada com a anterior direcção, presidida por Godinho Lopes. Uma reestruturação que foi recentemente desmentida pelo ex-vice-presidente da Assembleia Geral (AG), Daniel Sampaio, numa entrevista ao Diário de Notícias, publicada na sexta-feira. Este antigo dirigente revelou ter tido uma reunião com Nuno Amado, o presidente do Millennium BCP, no passado mês de Janeiro, que lhe negou a existência da mesma, admitindo apenas projectos.

"Nesse dia percebemos que o principal credor do Sporting, que é o BCP e não o BES, acabava de nos dizer que não havia reestruturação nenhuma. Era uma mistificação do [anterior] conselho directivo", denunciou, considerando que a mesma pretendia apenas manter no poder Godinho Lopes e evitar a realização de uma AG de destituição, que acabou por ser evitada com a demissão do ex-presidente.

Segundo o PÚBLICO conseguiu apurar junto de uma fonte do clube, estas declarações terão desagradado à banca, acabando por tornar inflexível a sua posição nas negociações com a nova direcção. Para tal, terá ainda contribuído a insistência de Bruno de Carvalho em realizar uma auditoria de gestão no Sporting para apurar eventuais responsáveis pela crise financeira e desportiva em que vive o clube, nomeadamente ao nível da SAD (Sociedade Anónima Desportiva), que gere o futebol profissional.

Argumentos que são rejeitados pelos parceiros financeiros, que reafirmam a existência de um processo de negociação para a reestruturação do pagamento da dívida de médio e longo prazo, que previa a entrada de um montante máximo de 40 milhões de euros para financiar as necessidades de tesouraria no próximo ano e meio. Sem acordo para a entrada de dinheiro fresco em Alvalade, continuam por liquidar os ordenados relativos ao último mês de Março e, se a situação se mantiver, poderá estar em causa a continuidade do futebol profissional do clube.

Esta será uma das consequências deste impasse que Bruno de Carvalho deverá hoje realçar durante uma conferência de imprensa, no Estádio José de Alvalade, onde fará um balanço das negociações com a banca, que tiveram ontem ao final da tarde um derradeiro capítulo. O novo líder "leonino" terá ainda oportunidade para explicar por que razão não divulgou ainda o(s) nome(s) do(s) investidore(s) para a SAD, com os quais garantiu ter um acordo durante a campanha eleitoral, que permitiria um encaixe entre os 15 e os 20 milhões de euros.