Pyongyang aconselha estrangeiros a saírem da Coreia do Sul

A Coreia do Norte aconselhou as empresas e os cidadãos estrangeiros no país vizinho a protegerem-se ou a abandonarem o país e o jornal oficial avisou que o Japão irá "pagar um preço elevado".

Os mísseis Patriot foram colocados nas próprias instalações do Ministério da Defesa japonês em pleno centro de Tóquio
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Os mísseis Patriot foram colocados nas próprias instalações do Ministério da Defesa japonês em pleno centro de Tóquio Issei Kato/Reuters

O alarme voltou a soar nesta terça-feira: a Coreia do Norte recomendou a retirada de empresas e turistas da Coreia do Sul, dizendo que está iminente uma guerra, e o jornal oficial do regime escreveu que o Japão pagará um "preço elevado" por seguir a política dos Estados Unidos.

"Os Estados Unidos e as suas marionetas da Coreia do Sul estão agora à espera de uma oportunidade para lançarem uma guerra contra a República Popular Democrática da Coreia, depois de terem colocado armas de destruição maciça, incluindo armamento nuclear, na Coreia do Sul", lê-se num comunicado da agência oficial KCNA.

O alerta é da Comissão de Paz Coreana da Ásia-Pacífico – uma agência norte-coreana criada em meados de década de 1990 para gerir as relações com a Coreia do Sul, o Japão e os Estados Unindos: "A comissão informa todas as instituições e empresas estrangeiras em Seul e em outras partes da Coreia do Sul, incluindo turistas, que devem tomar medidas para se protegerem ou para saírem, para a sua própria segurança."

Os analistas vêem como extremamente improvável uma acção de Pyongyang ou um ataque directo do Norte contra o Sul, mas o Japão não esconde a apreensão perante a subida de tom do Norte e prepara-se para um eventual ataque.

Segundo a imprensa japonesa, dois mísseis Patriot foram instalados no centro de Tóquio e dois outros serão colocados numa outra zona da capital para interceptar um eventual míssil da Coreia do Norte. Sistemas de intercepção de mísseis foram igualmente colocados no mar do Japão, na ilha de Okinawa, anunciou o ministro da Defesa, Itsunori Onodera.

Segundo disse um porta-voz do ministério na segunda-feira, as forças militares de autodefesa japonesas foram autorizadas a destruir qualquer míssil norte-coreano que represente uma ameaça para o Japão.  

O Japão já antes tomou medidas semelhantes, mas nunca foi levado a tentar atingir um míssil da Coreia do Norte. E só o fará perante uma acção contra o seu território. O aviso foi feito quando Pyongyang, através do jornal oficial do partido no poder, o Rodong Sinmun, escreveu em editorial: "Mais uma vez, lançamos um aviso ao Japão por seguir de forma cega a política dos Estados Unidos. [O Japão] terá de pagar um preço elevado pela sua imprudência."