Santos Neves: o reitor extravagante da Lusófona

Foi, desde a sua fundação, reitor da Universidade Lusófona. No auge da polémica em torno da licenciatura de Miguel Relvas, deixou de ser.

Fernando Santos Neves foi reitor da Universidade Lusófona
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Fernando Santos Neves foi reitor da Universidade Lusófona DR

Quem o conhece diz que é um homem eloquente, palavroso, "cheio de ideias", mas "pouco prático".

Enquanto professor no ensino público mostrou dificuldade em cumprir regras rígidas, em "encaixar-se".

Enquanto padre, marcou quem o conheceu. "Ficava fascinado a ouvi-lo", recorda o teólogo Anselmo Borges. A sua personalidade algo "excêntrica" terá gerado tanto admiração como rejeição, em diferentes momentos da sua vida. Fernando dos Santos Neves, 80 anos, foi missionário, viveu o Maio de 68 em Paris, e depois de passar pela universidade pública, acabou por ser um dos fundadores de um projecto incontornável no ensino superior privado português: a Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, em Lisboa.

Orgulha-se do que ajudou a construir. O Grupo Lusófona "até fez com que a palavra 'Lusofonia' ganhasse direito de cidadania nos dicionários da Língua Portuguesa", escreveu num artigo publicado em 2008.

E, há uns anos, numa entrevista para a revista do grupo, contava que não se livra "da fama (esperemos também que de algum proveito) de ter sido, em Portugal, o apóstolo máximo da Declaração de Bolonha contra 'os atrasos de vida da modernidade' das universidades portuguesas".

Costuma dizer, aliás, que a Lusófona é a "Universidade Bolonhesa por excelência".

Muito se tem falado de Bolonha por estes dias – o nome com que foi baptizado o processo de harmonização dos graus académicos no espaço europeu e que, em Portugal, se traduziu também, a partir de 2006, na introdução da possibilidade das universidades darem créditos à experiência profissional dos candidatos. Nas últimas duas semanas, contudo, a Lusófona e Santos Neves têm estado no centro do furacão que envolve o n.º 2 do Governo. E Bolonha, precisamente, tem qualquer coisa a ver com isso.

O ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais em apenas um ano. Tudo por causa de um processo de reconhecimento da experiência que o ministro tinha acumulado ao longo das duas décadas que antecederam aquele dia 7 de Setembro de 2006, quando escreveu ao homem que era o reitor da Lusófona desde a sua origem.

Nessa carta, Relvas pedia a Santos Neves a apreciação do seu percurso tendo em vista o "eventual reconhecimento de equivalências ou de créditos", como previa a lei aprovada seis meses antes. A lei que concretizava Bolonha.

Santos Neves, que era também director da licenciatura e presidente do conselho científico do departamento onde esta era leccionada, foi um dos dois professores que analisou o currículo do ministro. E que decidiu que ele valia 160 créditos, dos 180 necessários para o diploma. Considerou ainda que Relvas (deputado desde os anos 80, ex-secretário de Estado, frequência de dois cursos superiores, ainda que com apenas uma disciplina concluída) teria que fazer só quatro cadeiras. E foi Santos Neves, por fim, quem o avaliou numa delas, com 18 valores, a nota mais alta que o ministro alguma vez teve. Uma nota dada por um professor que estava longe de ter fama de sovina.

Facilitista?
Conceição Lobo Antunes, 66 anos, docente aposentada da Nova de Lisboa, conta que as notas altas dadas por Santos Neves naquela universidade pública, nos anos de 1990, quando ali foi professor, não eram bem vistas na instituição. "Ele é um indivíduo com muita imaginação, tem ideias que fazem ruptura epistemológica, como ele gosta de dizer, com paradigmas um pouco conservadores, mas tem dificuldade em traduzir isso na prática, quer nas relações entre pares, quer nas relações com os alunos. E daí um pouco de facilitismo. Se lhe escreverem umas coisas interessantes que saiam da rotina, e tal, ele entusiasma-se." Mas já vamos a esse período de uma vida cheia, cujos traços a grosso o PÚBLICO tenta reconstruir a partir de testemunhos. As tentativas de falar com Santos Neves não tiveram sucesso.

Fernando dos Santos Neves nasceu em 1932, preparava-se Oliveira Salazar para instituir o Estado Novo e vergar o país à tríade "Deus, Pátria, Família".

Que ecos terão chegado desta mudança política ao lugar de Jancido, na freguesia de Foz de Sousa, em Gondomar, é algo que já ninguém se lembra. De Fernando sim.

Era o quinto de seis irmãos, nascidos do casamento entre Manuel João Martins das Neves e Maria Moreira dos Santos, agricultores. Viviam da pequena exploração de que eram proprietários. "Como eram lavradores, lá escapavam à escassez de bens alimentares imposta pelo racionamento decorrente da Segunda Guerra Mundial. Não eram de esbanjar mas, numa altura em que a miséria era a sério, viviam muito razoavelmente e ajudavam as pessoas que punham lá a trabalhar ao dia", lembra José Oliveira, vizinho da casa da frente, actual vice-presidente da Câmara de Gondomar.

A casa ainda lá está. No n.º 1300 do lugar de Jancido, vivem Rosa e Madalena, respectivamente as irmãs mais velha e mais nova de Fernando. Há uma outra irmã, Maria da Conceição, que se fez freira. "Rosa casou-se com um primo e o filho, Tony Neves, também é missionário espiritano. Madalena não chegou a casar-se, ficou por casa a dar apoio aos pais", situa José Oliveira.

Dos rapazes, Manuel e Fernando seguiram a vida religiosa. Vitorino, o mais velho dos irmãos, nunca se quis do outro lado do altar. É ele quem nos guia os passos até à casa onde todos cresceram e é ele que abre o portão verde-garrafa para um pátio interior onde há um tractor, uma prensa de bagaço, um cão cujo ladrar se mistura com o miado de um gato e o balido de uma ovelha.

"O meu irmão Fernando era um brincalhão. O mais alegre de todos", diz. A mulher de Vitorino, Maria, acrescenta: "Costumávamos andar por aí todos juntos, a jogar à macacada, que no tempo não havia televisão. Toda a gente gostava dele. Não tinha vaidade nenhuma. Mesmo depois de ter ido para o seminário, se a mãe lhe pedia 'Ó Fernando vai-me buscar a bacia de roupa ao tanque', ele lá ia, sempre bom rapaz. E esperto como um alho." Apesar da diferença de idades, José Oliveira confirma a peculiaridade que fazia Fernando distinguir-se. "Se quisermos utilizar a linguagem de agora, acho que se lhe podia chamar sobredotado. Muitas vezes deixava as pessoas de olhos esbugalhados. Já se dizia na altura que andava sempre 50 anos à frente dos outros."

Cura de ideias em Angola
É enquanto frequenta a escola primária da aldeia que Fernando é "cooptado" para a vida religiosa, repisando assim o percurso pelo qual optara, antes dele, o irmão Manuel, agora responsável pelo Seminário do Espírito Santo, em Pinheiro Manso, no Porto.

"Nesse tempo era frequente aparecerem nas escolas padres ligados a instituições para propor o recrutamento. Iam falar com as professoras e perguntavamlhes pelos melhores alunos. O Fernando destacava-se." No seminário de Fraião, em Braga – onde ainda se formam missionários e padres – passa o resto da infância e adolescência.

"Ele deve ter cá chegado em 1944/45. Era um aluno brilhante, de uma inteligência fora do vulgar. Intelectualmente muito bem dotado, não precisava de se agarrar muito aos estudos porque apreendia tudo facilmente", recorda o padre Marcelino Duarte Lopes, contemporâneo de Santos Neves.

O portal Degóis, que pertence à Fundação para a Ciência e Tecnologia e é alimentado pelos próprios professores, revela os pontos-chave da formação que se seguem: licenciatura em Filosofia na Pontificia Universitas Gregoriana (Itália), em 1954; licenciatura em Teologia na mesma universidade, quatro anos depois; doutoramento em Filosofia na Universidade de Salamanca (1979) e em Ciências Sociais Aplicadas e Pensamento Contemporâneo, na Universidade Nova de Lisboa (1983).

É em Roma, ainda na década de 1950, que o ex-bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, se cruza com Santos Neves. "Vimo-nos muito raramente, mas lembro-me: era um jovem todo fresquinho. Se foi mandado para Roma, era muito inteligente. Geralmente, a congregação mandava para lá aqueles em que tinha mais confiança e dos quais esperava mais."

Dimas Almeida, pastor protestante e professor no curso de Ciências das Religiões na Universidade Lusófona, conhece o então jovem padre da congregação dos Missionários do Espírito Santo (MES) em 1965 ou 66. "Participei em Lisboa numa semana de teologia, da qual ele era a alma mater, e que foi um deslumbramento." Nessa época, a Igreja Católica estava a sair do Concílio Vaticano II que decidiu uma série de reformas. "Em Portugal aquilo era novo", recorda Dimas Almeida. Na iniciativa participaram teólogos portugueses e estrangeiros de renome, coisa rara no Portugal de então. E as respectivas actas, uma vez publicadas, começaram a "incomodar a hierarquia religiosa". Há anos, o próprio Santos Neves dizia ao PÚBLICO que o então superior dos MES, o padre Marcel Lefèbvre – que depois viria a ser bispo e líder dos integristas que romperam com o Vaticano – o mandou para Angola, para fazer uma cura de ideias.

O pastor evangélico norte-americano Lawrence Henderson, que trabalhou em Angola, chegou a referir a Dimas Almeida o trabalho de Santos Neves naquele país: "Falava com muito entusiasmo do seu pendor. Ele tinha aquele pendor para quebrar o institucional." Em Angola, Santos Neves criou o Instituto Católico, organizou "cursos de mundividência cristã", escreveu. João Esaú Diniz, um amigo que viria a dar aulas na Lusófona, conta que chegaram a ser os dois chamados à PIDE na sequência de um dos livros do padre sobre ecumenismo.

"Apreenderam o livro." Desse tempo, o teólogo Anselmo Borges recorda Neves como alguém que se esforçava por criar uma linguagem nova para a teologia. "Era eu muito jovem, mas lembro-me de ele representar algo de novo entre nós, lembro-me, aliás, de um adjectivo que ele inventou: omnitoticompreensivo e que apelava à ideia de uma abrangência universal e profunda. Na altura, não sabia muito bem o que queria dizer, mas, enquanto estudante, ficava fascinado a ouvi-lo." O gosto por criar palavras é visível nos escritos de Santos Neves – isso e as referências a Marx (outro professor da Lusófona, que não quis ser identificado, diz que ele "cita Marx ao pequeno-almoço, se for preciso"). Títulos como Onze teses sobre a CPLP e a Lusofonia (2002), ou Onze teses contra os inimigos do Acordo Ortográfico (PÚBLICO, 2008), da sua autoria, inspiram-se, de resto, nas 11 teses sobre Feuerbach, de Marx.

Quanto às palavras, "cairologia", tal como "omnitoticompreensivo", foi outra das que concebeu. Ainda não está nos dicionários, lembrou num artigo onde explicava: "'Kairos' não é um tempo ('Xronos'), um dia, um momento qualquer..., é.... o 'tempo da graça', o 'tempo oportuno e propício', o 'tempo favorável', a 'hora certa'..."

Quando vai para França (onde entre 1971 e 79 dá aulas na Universidade de Paris VIII) e abandona o ministério de padre, Marcelino Duarte Lopes perde-lhe o rasto. Mas admite que a decisão dele de pedir a dispensa do celibato seja estilhaço da tempestade provocada pelo Concílio Vaticano II. "Não quer dizer que fosse um progressista, mas é natural que se tenha deixado afectar pelo ambiente perturbador que se seguiu."

A relação com Angola perduraria – em 1974, pouco antes do 25 de Abril, publicou em Paris o livro Negritude e Revolução, no qual criticava os "dois gritantes antiecumenismos existentes na Angola" da época: "a perseguição impiedosa de que são vítimas as 'Missões Protestantes' da parte do governo português, com o acordo, senão a complacência, da Igreja oficial, que é a Igreja Católica Romana"; e "a exploração colonialista da maior parte da população angolana".

O regresso a Portugal acontece depois de Abril de 1974, numa altura em que muitos dos que voltam, com formação em Ciências Sociais, têm vontade de desenvolver essa área, recorda Conceição Lobo Antunes. Santos Neves era um deles.

Não terá sido fácil. Na Nova de Lisboa, para onde vai dar aulas, a integração não foi "tão bem sucedida quanto ele gostaria", continua a professora, que, na altura, estava na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT).

"No mundo académico há por vezes muitas resistências e se a pessoa tem características tipo Santos Neves... É bom que haja imaginação, criatividade, entusiasmo, e ele é um entusiasta nato. Mas há também uma indisciplina mental. Santos Neves é difícil de se encaixar em qualquer esquema." Para além disso, "valorizava muito os alunos" –"Não digo que não houvesse quem os desvalorizasse de mais. Mas no conjunto e na variedade de cadeiras, vai-se encontrando no dia-a-dia uma consciência de qual é a mediana de uma turma. Se se foge muito destas margens, tem que haver um fundamento. Não pode ser porque um indivíduo rompe com as regras todas institucionais." A professora admite que Santos Neves tenha suscitado "reacções excessivamente penalizadoras por a sua maneira de ser muito inconformista". Mas nota: "Em qualquer outra instituição ele teria que fazer mais esforço para ser integrado." Outros colegas, um da Nova outra da Lusófona, alinham pelo mesmo tom. Alguns alunos que por ele passaram terão sabido lidar com essa característica do professor: ele não fazia favores, deixava-se mesmo entusiasmar, algo ingenuamente. "Lembrei-me disso quando li sobre esta história das equivalências", conta um deles.

Santos Neves passa, pois, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e pelo departamento de Ciências Sociais da FCT, onde lecciona um programa de Introdução ao Pensamento Contemporâneo que uma professora descreve como "barroco". Num ambiente pouco acolhedor, acaba por se ir embora.

Leopoldo Guimarães, o primeiro director da faculdade, diz que não se recorda dos contornos da saída: "Se tivesse havido algum incidente grave lembrar-me-ia." No currículo do professor no Degóis há ainda referências a actividade docente na Universidade de Coimbra (UC) até 1999 – na disciplina de Estudos Africanos. O que poderá ser um "lapso", segundo a assessora da UC, Cristina Pinto, que diz que dos registos só constam dois semestres de aulas, em 95 e 96, como professor convidado na cadeira de Introdução ao Pensamento Científico Contemporâneo.

Governantes ex-professores
Certo é que é no sector privado que Santos Neves, um crítico da Nova ("um projecto tornado velho ainda antes de nascer", escreveria mais tarde), parece encontrar a possibilidade de concretizar uma universidade realmente "inovadora" para Portugal e para a Lusofonia.

Em Março de 1995 é notícia que o Quartel do Campo Grande, que em breve iria ser desactivado, daria origem a uma universidade privada. A Cooperativa de Formação e Animação Cultural (Cofac), entidade instituidora da universidade, de Manuel Damásio, iria pagar 4,6 milhões de contos pela propriedade.

É assim que a Lusófona arranca ainda antes de ser legalmente universidade, tendo criado cursos inovadores, como Ciência das Religiões, o primeiro do género fora da Universidade Católica Portuguesa. Para desenhá-lo, Santos Neves convida, em 1997, Frei Bento Domigues. "Por opção minha, sempre fui um trabalhador sem salário", faz questão de sublinhar o frade dominicano.

"Sentia-se um grande entusiasmo de quem trabalhava na universidade e uma seriedade que não se coaduna com o que agora se ouve na comunicação social", continua. Frei Bento acabaria por sair quando, diz, o curso estava consolidado. "Tinha muitos outros trabalhos que sacrificara porque achava aquela licenciatura muito importante." Santos Neves vai desafiando outros professores a integrar o projecto. Conceição Lobo Antunes, uma delas, aceita o convite depois de antecipar a aposentação da Nova. O gosto do reitor pelo diálogo e a diversidade, e o facto de ter uma postura de "tudo se resolve", tê-lo-á ajudado a granjear nomes importantes.

Só no actual Governo, há pelo menos três secretários de Estado (Feliciano Barreiras Duarte, Alexandre Mestre, Manuel Pinto de Abreu) e um ministro (Mota Soares) que têm no currículo o facto de terem dado aulas na instituição. A todos o PÚBLICO pediu testemunhos sobre Santos Neves. Apenas o ministro da Segurança Social respondeu. Para fazer saber que nunca teve uma ligação próxima com o reitor, até porque trabalhavam em faculdades distintas.

O grupo, que tem hoje 25 mil estudantes (alguns dos ex-alunos também estão no Governo) e exibe na sua página da Internet nomes como Jorge Miranda, Pedro Santana Lopes, Freitas do Amaral, Fátima Campos Ferreira, detém instituições em Cabo Verde e no Brasil, por exemplo. E às instalações de Lisboa chegam muitos estudantes de fora. Já em 2006, 10% da população estudantil era africana.

Há três anos, Conceição Lobo Antunes foi falar com Damásio para lhe dizer que se iria embora, apesar de sempre se ter sentido "muito respeitada" – "Vários colegas diziam-me: 'Conceição, uma escola demora sempre dez anos a fazer.' E eu tinha entrado com a consciência de que teria uma massa crítica de alunos mais debilitada do que no ensino público. Com os anos, houve melhorias, ao nível da triagem dos alunos, ao nível do corpo docente. Mas, a certa altura, com a abertura de novos cursos e o enfraquecimento de outros, a curva inverteu-se. Decidi que não ia descer mais a fasquia. Uma universidade privada é, simultaneamente um espaço científico-pedagógico e uma empresa. Mas gostaria de ver essas duas linhas mais convergentes."

Casado com uma italiana, professora na Lusófona, e com dois filhos, um dos quais também docente, vários livros publicados, Santos Neves tem-se mantido afastado da polémica Relvas. Com vozes dentro mas, sobretudo, fora da Lusófona a criticarem o processo de equivalências do ministro, Manuel Damásio nomeou-o na semana passada para presidente de um organismo criado dias antes: o Conselho Superior Académico.

Neves abandonou assim o lugar de reitor da universidade do Porto, que ocupava desde 2007. Desta vez, não prestou declarações. Mas quando deixou a reitoria de Lisboa pela da Invicta tinha afirmado: "O reitor-fundador nunca deixará de ser, com ou sem diploma e medalha oficiais, o vitalício 'reitor honorário' da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa."

Este texto foi publicado na edição impressa do PÚBLICO a 22/07/2012

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