Torne-se perito

Sete em cada dez mulheres sofrem de disfunção sexual

Mais de metade das mulheres em idade reprodutiva que participaram num estudo da Universidade do Minho disseram não conseguir atingir o orgasmo.

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Enric Vives-Rubio

Sete em cada dez mulheres sofrem de disfunção sexual, na maior parte dos casos relacionada com problemas em atingir o orgasmo. E apenas metade dessas mulheres encara isso como um problema, alerta Bárbara Ribeiro, autora do estudo “Disfunção Sexual Feminina em Idade Reprodutiva”, da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.

Mais de metade das mulheres em idade reprodutiva ouvidas para o estudo disseram que não conseguem atingir o orgasmo. Um terço justificam-no com o factor “stress”, mas também foram apontados outros como “dores durante o acto sexual, vaginismo [contracções dolorosas e espasmódicas do músculo constritor da vagina] e experiências sexuais indesejadas”.

A disfunção sexual feminina, explica a autora do estudo, está relacionada com “uma alteração em qualquer uma das fases do ciclo de resposta sexual (o desejo, a excitação e o orgasmo)” ou com “perturbações dolorosas associadas ao acto sexual”.

Mas além de metade das mulheres que sofrem de disfunção sexual não verem isso como um problema, as restantes “tendem a desvalorizar os sintomas”, diz Bárbara Ribeiro. Isto porque “muitas delas ainda não encaram uma vida sexual plena como parte integrante da sua satisfação pessoal” e atribuem mais valor a outros factores como a vida familiar. Noutros casos isso deve-se também a “desconhecimento da respectiva sexualidade”.

A autora sublinha, porém, que é importante ter em conta a opinião de cada mulher e que a disfunção sexual feminina pode não ser de facto um problema desde que não afecte a qualidade de vida.

O estudo mostra ainda que a contracepção hormonal diminui o desejo sexual das mulheres: “A frequência com que estas mulheres têm relações sexuais diminui de 12 para oito vezes por mês”. Além disso, parece haver “relações directas” entre a contracepção hormonal, a perturbação do desejo, a aversão sexual e as experiências sexuais indesejadas. Ou seja, “93% das participantes vítimas de violação apresentam disfunção sexual e aquelas que usam contraceptivo hormonal têm uma probabilidade 2,6 vezes superior de vir a sofrer de diminuição do desejo sexual, quando comparadas às que recorrem a outro método contraceptivo”.

As mulheres que participaram no estudo têm idades entre os 18 e os 57 anos (a média é de 36) e são utentes de centros de saúde do distrito de Braga. Perto de dois terços são casadas, 23,3% têm o 12.º ano de escolaridade e 72,6% trabalham.

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