Infanta Cristina formalmente acusada no caso de corrupção que envolve o marido

A filha do Rei de Espanha vai depor a 27 de Abril perante o juiz responsável pelo caso Nóos.

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NICHOLAS KAMM/AFP

A filha do Rei Juan Carlos, a cidadã Cristina Federica de Borbón y Grecia, deverá prestar declarações no tribunal de Palma de Maiorca no dia 27 de Abril, na qualidade de co-proprietária da empresa Aizóon e dirigente do Instituto Nóos.

Um porta-voz da Casa Real, questionada sobre a incriminação da infanta Cristina, declarou: “Não comentamos decisões judiciais”. Porém, a Zarzuela não deixou de manifestar a sua "surpresa pela mudança de opinião expressa pelo juiz na sua resolução, face ao seu anterior auto de 5 de Março de 2012".

Informando que tomou conhecimento da notícia pelos jornais, a Casa Real demonstrou "absoluta conformidade com a decisão tomada pela Procuradoria Anti-corrupção de recorrer desse auto, na sua posição processual de imparcialidade e defesa da legalidade".

O El Pais recorda que esta decisão judicial acontece depois de Diego Torres ter entregado ao juiz José Castro a sétima remessa de mensagens de correio electrónico, cujo conteúdo o ex-sócio de Urdangarin espera que demonstre que Juan Carlos conhecia e apoiou os negócios do duque de Palma. Urdangarin tentou, sem sucesso, que estes emails fossem retirados do caso.<_o3a_p>

Torres, que se tornou inimigo de Urdangarin depois de ter sido aberta uma investigação contra os dois, tem vindo a facilitar ao longo do último ano uma série de mensagens electrónicas com o objectivo de demonstrar o envolvimento da infanta Cristina nos negócios do Instituto Nóos.<_o3a_p>

Até agora, o magistrado e a Procuradoria tinham recusado acusar a infanta por considerarem que, apesar de esta fazer parte da direcção do Instituto Nóos, não tinha participado na tomada de decisões. As centenas de emails que Torres copiou dos computadores do Nóos e entregou às autoridades destinavam-se a demonstrar o contrário e provar, inclusive, o envolvimento do Rei Juan Carlos.<_o3a_p>

O Instituto Nóos era uma instituição sem fins lucrativos que iniciou a sua actividade em 2003, quando Urdangarin foi nomeado seu presidente. Por detrás de uma fachada de promoção do turismo, cultura e desporto, o instituto beneficiou de contratos milionários com os governos das ilhas Baleares e a Comunidade Valenciana, ambos nas mãos do Partido Popular.

Grande parte dos quase seis milhões de euros que o Nóos conseguiu dos cofres públicos entre 2004 e 2006 acabou nas contas bancárias de empresas privadas que eram propriedade de Urdangarin e Diego Torres.
 
 Notícia alterada às 20h57 para acrescentar declarações da Casa real espanhola.