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4000 Ateliers para aproximar a arquitectura do público

No dia 25 de Maio, acontece a segunda edição dos 4000 Ateliers, uma iniciativa que em 2011 contou com a participação de 20 ateliers de arquitectura na baixa do Porto

A arquitectura pode estar ao alcance de todos e não apenas associada aos grandes escritórios. Partindo desta ideia, cinco jovens arquitectos vão promover um dia diferente na baixa do Porto. Os ateliers vão estar de portas abertas e o público vai ser convidado a entrar.

No dia 25 de Maio, acontece a segunda edição dos 4000 Ateliers, uma iniciativa que em 2011 contou com a participação de 20 ateliers de arquitectura na baixa do Porto, convidando o público em geral a conhecer melhor os processos de criação, métodos de trabalho e rotinas de um escritório de arquitectura.

“Achamos que este era o timing certo para fazer a segunda edição do evento”, conta ao P3 Alexandre Gamelas, arquitecto no atelier A.G.C.S., que fica na Rua do Almada. “Decidimos avançar para a segunda edição porque a primeira correu muito bem. Não realizámos no ano passado porque o tempo de maturação do trabalho dos arquitectos é um pouco mais longo que o normal”, explica Alexandre Gamelas.

PÚBLICO -
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Há um ano e meio, o grupo de cinco arquitectos que organiza o evento surpreendeu-se ao ver tanta gente de mapa na mão a passear pelas ruas da baixa com destino aos ateliers que aderiram à iniciativa. O público variou entre estudantes de arquitectura e arquitectos, mas também curiosos, famílias e profissionais de outras áreas interessados em fazer contactos.

Somos estruturas mais pequenas e eficientes

Este ano o mapa vai ser o mesmo, mas a organização espera que tenha mais ateliers sinalizados. Não só porque a iniciativa já é mais conhecida, mas também porque existem cada vez mais jovens arquitectos a procurarem a baixa do Porto para trabalhar. O objectivo da segunda edição dos 4000 Ateliers “é incentivar que haja uma maior proximidade entre os ateliers e o público”, diz Catarina Santos, do escritório A.G.C.S., que poderá acontecer através de “exposições, workshops ou palestras”.

A arquitectura divulgada é dos grandes arquitectos

Cabe a cada atelier escolher aquilo que quer mostrar ao público, de maquetes a desenhos, passando por projetos e projecção de vídeos. Uma garantia é dada pela organização: “ambiente informal e muita simpatia”. “Queremos desmistificar a arquitectura e dar a conhecer o nosso trabalho”, afirma Marta Bordalo, do Atelier das Formas.

Conhecer os edifícios

As visitas aos ateliers valem também pelos edifícios em si. “É uma oportunidade de conhecer os ambientes de criação e os próprios edifícios, já que muitos deles são desconhecidos para o público em geral”, refere Márcio Meireles, do Atelier das Formas, que fica na Avenida dos Aliados, no edifício da antiga seguradora “A Nacional”, obra do arquitecto Marques da Silva.

“Os arquitectos da nossa geração estão a fazer um esforço para voltar à baixa e se estabelecer aqui profissionalmente”, sublinha Alexandre Gamelas, lembrando que noutras cidades seria impensável ter um escritório na baixa, mas, no Porto, “é a zona onde os edifícios são mais acessíveis”.

Porto, cidade de “Pritzkers” e não só

Com uma escola conceituada e provas dadas na área, faz parte do senso comum dizer que o Porto é uma cidade de arquitectos, mas a arquitectura ainda é colocada num pedestal. “As pessoas colocam os grandes arquitectos num altar e acham que não têm acesso a eles, enquanto a arquitectura é para ser acessível a todos”, lembra Marta Bordalo.

“No Porto, toda a gente conhece os grandes arquitectos Souto Moura e Siza Vieira, mas se calhar não sabem que existem tantos jovens arquitectos promissores”, completa Joana Leandro Vasconcelos do atelier In Vitro, que também fica no edifício “A Nacional”. “Enquanto os ateliers dos Pritzkers e de arquitectos de uma geração anterior a nossa faziam muitas obras públicas e eram estruturas muito grandes, nós somos estruturas muito mais pequenas e mais eficientes”, compara Alexandre Gamelas, lembrando que os arquitectos que participam no 4000 Ateliers estão todos entre os 30 e 40 anos.

É esta nova cara da arquitectura portuense que o público vai poder conhecer melhor no dia 25 de Maio, entre às 15h e às 20h. A organização espera ter uma aplicação para smartphones com a agenda dos acontecimentos e vai fornecer informações prévias sobre o evento e os participantes no seu blogue. As inscrições para escritórios interessados em participar decorrem até 15 de Abril e podem ser feitas através de email.