PSD-M contra comentários de Sócrates na RTP

Líder regional do CDS-PP acha natural que a televisão pública convide políticos dos diferentes quadrantes.

José Sócrates tem regresso previsto a Portugal em Abril
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José Sócrates tem regresso previsto a Portugal em Abril Pedro Cunha

O grupo parlamentar do PSD-Madeira entregou esta quarta-feira na Assembleia Legislativa da Madeira um voto de protesto contra a “contratação de José Sócrates como 'comentador' da RTP”.

Os sociais-democratas madeirenses consideram que esta “contratação” é uma “ofensa ao povo português que sofre hoje na pele os efeitos das políticas que conduziram o país à ajuda externa, à perda da sua soberania, à destruição da economia, do emprego e do Estado Social e à mais profunda estagnação social e económica de que há memória desde o 25 de Abril de 1974”.

No documento o PSD-M invoca, entre outros motivos, “todo o mal que José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, provocou à Região Autónoma da Madeira, nomeadamente com a Lei de Finanças Regionais e com o ataque iniciado e continuado ao Centro Internacional de Negócios da Madeira”.

O PSD-Madeira considera também estranho que “a RTP seja agora uma importante aliada de um político que conduziu o país à ruína e que nunca assumiu as suas responsabilidades”. Desconfia também das “motivações que estarão por trás desta súbita e irreal contratação, uma vez que um canal público de televisão devia ser um exemplo de integridade, de transparência e de verdadeiro serviço público, não embarcando em exercícios de autojustificação e de branqueamento de um passado recente e, muito menos, nas tentativas de minar e prejudicar os políticos do presente ou ainda como instrumento de relançamento político”.

O protesto do PSD não encontra eco no CDS-PP da Madeira que também se demarca da posição tomada pelo seu partido a nível nacional, ao exigir a presença do director da Informação da RTP na Assembleia da República para justificar o convite a José Sócrates.

José Manuel Rodrigues, líder regional do CDS-PP escusa-se a envolver-se nesta polémica, por considerar “natural que a RTP convide quem entender, no cumprimento do serviço público que se deve pautar pela liberdade de expressão e pluralismo de opiniões”. Em declarações ao PÚBLICO, o antigo jornalista do centro regional da televisão pública recorda ainda que, no respeito pelo princípio do contraditório, a RTP tem convidado políticos dos diferentes quadrantes para comentar a actualidade política.