Novo Hospital de Vila Franca de Xira abre amanhã sem acesso concluído

A transferência dos serviços do antigo hospital para a nova unidade vai ser feita ao longo de uma semana, sendo as urgências a última área a mudar-se. A inauguração oficial acontecerá em Maio.

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As obras dos acessos, a cargo de um empreiteiro contratado pela câmara local, ainda estão em curso dr

O novo Hospital de Vila Franca de Xira começa a funcionar amanhã, primeiro dia de uma semana em que decorrerá a transferência progressiva dos serviços das antigas para as novas instalações

. A partir de 3 de Abril, todo o hospital estará instalado no novo edifício de oito pisos, construído numa zona situada a norte da cidade, onde foram investidos mais de 100 milhões de euros.

Mas nem tudo correu bem e a empreitada de construção do viaduto de acesso (ligação à Estrada Nacional 1), liderada pela câmara local, sofreu grandes atrasos, obrigando a autarquia a mobilizar funcionários e maquinaria própria para tentar acabar a obra até amanhã. A chuva forte dos últimos dias não tem ajudado, mas tudo indica que o hospital abrirá como previsto, mesmo que o acesso não esteja pronto.

As actuais instalações do Hospital de Vila Franca remontam a 1951 (beneficiaram entretanto de duas ampliações) e são manifestamente insuficientes para servir uma área com perto de 250 mil habitantes - concelhos de Alenquer, Arruda, Azambuja, Benavente e Vila Franca. Pelo menos desde a década de 70 que se fala na necessidade de um novo hospital, mas só nos últimos anos foram criadas condições para o efeito, com o lançamento de um concurso para uma parceria público-privada ganho por um consórcio liderado pelo grupo Mello (gestão clínica) e pela Somague (construção).

O agrupamento construtor conseguiu cumprir o prazo de 20 meses para a construção do edifício, com o triplo da área do actual hospital, e concluiu a obra a 24 de Janeiro passado. Foi necessário conciliar três intervenções em simultâneo - edifício hospitalar, acesso e desvio de um adutor da Epal -, mas Francisco Silva, administrador da Somague, diz que houve "uma grande coordenação entre as equipas", que permitiu concluir o edifício exactamente dentro do prazo, apesar das características difíceis do relevo.

Francisco Silva admite que o "terreno muito acidentado" complicou os trabalhos, mas diz não poder afirmar que num espaço plano o custo da obra seria muito inferior.

Certo é que a construção do edifício propriamente dita custou 76 milhões de euros. Desde Janeiro decorreram fases de teste e de instalação de equipamentos (orçados em 14 milhões) e a Escala Vila Franca (empresa do grupo Mello) foi preparando a mudança. Vasco Luís de Mello, presidente da empresa e da comissão executiva do Hospital, disse ao PÚBLICO que tudo foi preparado "até ao mais ínfimo pormenor" para que nada falhe na semana de 28 de Março a 3 de Abril.

A mudança de um hospital com 220 camas de internamento e uma urgência para uma afluência média superior a 300 utentes por dia nunca é fácil, salienta, razão pela qual foi criada uma estrutura com 42 representantes das diferentes áreas do hospital que, desde Setembro, tem preparado a mudança em articulação com a administração.

"Não vai haver improvisos, queremos que a transferência corra bem e que se faça num período curto, porque, para nós, é difícil manter activas duas unidades em simultâneo", frisou, referindo que o plano de transferência contempla mais de 1500 itens de procedimentos e mais de 30 mil equipamentos.

Amanhã abrirão as consultas externas (cerca de 300 por dia), os exames especiais, a medicina física e de reabilitação e o Hospital de Dia Oncológico. Seguem-se alguns dias de adaptação e, no dia 2, começam a funcionar no novo edifício o bloco operatório, a unidade de cuidados intensivos e intermédios e o Hospital de Dia Psiquiátrico.

Esse mesmo dia será um dos mais sensíveis da mudança, com a transferência de perto de 200 doentes internados. Vai ser criada uma espécie de "comboio" de ambulâncias e o director clínico, Carlos Rabaçal, garante que serão tomadas todas as precauções, com todos os doentes acompanhados por um enfermeiro e a realização de avaliações clínicas à saída do antigo e à entrada do novo hospital.

Quanto à urgência a mudança será feita na noite de 2 para 3 de Abril. Às 24h fecha o atendimento nas antigas instalações e, à mesma hora, abre nas novas. A antiga urgência funcionará por mais oito horas e meia para concluir o atendimento dos utentes que ali se encontrem.

A abertura deste novo hospital vai permitir, também, criar novas valências e aumentar a capacidade. A unidade passa a dispor das especialidades de psiquiatria e de infecciologia, de uma área de cuidados intensivos e de um hospital psiquiátrico. O Bloco Operatório triplica a capacidade (de três para nove salas), o internamento dispõe de mais 60 camas (de 220 para 280) e a maternidade integra cinco salas de partos e 30 quartos individuais com casa de banho. "Com as novas instalações vamos ter mais espaço e melhores condições de trabalho para os profissionais, que permitirão atender os utentes de uma maneira mais humanizada", garante Vasco de Mello.

A cerimónia de inauguração oficial da nova unidade hospitalar deverá ocorrer só em Maio.

Financiamento de 101 milhões

A construção do novo hospital foi orçada em 76 milhões de euros, mas o agrupamento construtor liderado pela Somague (a parceria público-privada envolve um consórcio composto por esse agrupamento e pelo Grupo José de Mello, que assegura a gestão clínica) obteve um financiamento bancário de 101,6 milhões de euros.

O empréstimo foi concedido por um sindicato bancário que integra o Grupo Caixa, o BES e o Banif. Francisco Silva, administrador da Somague, disse ao PÚBLICO que este montante contempla também todos os encargos associados ao próprio financiamento e os trabalhos de manutenção do edifício ao longo dos próximos 30 anos.

O contrato vigora até 2043, o que significa que, nessa altura, o edifício reverte para o Estado. Até agora, o Ministério da Saúde ainda não pagou nada ao agrupamento construtor, porque o contrato, acrescenta Francisco Silva, prevê que o faça só a partir do momento em que o hospital esteja efectivamente a funcionar.

O gestor adiantou que as empresas que integram o agrupamento (Somague, Edifer, Quadrante e MSF) investiram, também, 17 milhões de euros neste projecto. Já o Grupo José de Mello gastou 14 milhões no equipamento do novo hospital e 7, 5 milhões na compra de equipamento do antigo hospital de Vila Franca de Xira.