Silva Peneda acusa ministro alemão de querer despertar “fantasmas de guerra” na Europa

Presidente do CES reage a declarações de Schäuble sobre "inveja" estar na origem das críticas à Alemanha.

Silva Peneda diz que “não foi devidamente ponderado” o baixo nível do rendimento médio e o elevado nível de endividamento das famílias e das empresas
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Silva Peneda renunciou ao mandato. Enric Vives-Rubio

José Silva Peneda, presidente do Conselho Económico e Social (CES), escreveu uma carta aberta em que acusa Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças alemão, de querer despertar os “fantasmas de guerra” na Europa.

No texto, que será publicado na edição de quinta-feira do PÚBLICO, Silva Peneda reage às declarações de Schäuble, que, na segunda-feira, disse que a “inveja” está na origem das críticas feitas à Alemanha.

“Vossa excelência, ao expressar-se da forma como o fez, identificando a inveja de outros Estados-membros perante o ‘sucesso’ da Alemanha, está de forma subjectiva a contribuir para desvalorizar, e até aniquilar, todos os progressos feitos na Europa com vista à consolidação da paz e da prosperidade, em liberdade e em solidariedade. Com esta declaração, vossa excelência mostra que o espírito europeu, para si, já não existe”, escreve Silva Peneda.

“Queria dizer-lhe também, senhor ministro, que comparar a atitude de alguns Estados a miúdos que, na escola, têm inveja dos melhores alunos é, no mínimo, ofensivo para milhões de europeus que têm feito sacrifícios brutais nos últimos anos, com redução muito significativa do seu poder de compra, que sofrem com uma recessão económica que já conduziu ao encerramento de muitas empresas, a volumes de desemprego inaceitáveis e a uma perda de esperança no futuro”, acrescentou o presidente do CES, para quem seria “a negação do espírito europeu” que os interesses alemães se sobrepusessem aos europeus, da mesma maneira que “não será do interesse europeu o desenvolvimento de sentimentos anti-Alemanha”.

Silva Peneda escreve tanbém que as declarações de Schäuble fazem dele “um dos responsáveis para que o projecto europeu esteja cada vez mais perto do fim” e termina lembrando as recentes declarações de Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro do Luxemburgo, sobre os fantasmas de guerra na Europa estarem apenas adormecidos. “Com esta declaração vossa excelência parece querer despertá-los.”