Crónica de jogo

Acabou-se o jejum de resultados, mas não voltaram as boas exibições

Portugal tornou a sentir dificuldades frente ao Azerbaijão, mas Bruno Alves e Hugo Almeida evitaram novo embaraço e devolveram a equipa às vitórias.

Foi o oitavo golo de Bruno Almeida pela selecção nacional
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Foi o oitavo golo de Bruno Alves pela selecção nacional David Mdzinarishvili/Reuters
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Tofik Babayev/AFP
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A selecção nacional trouxe notícias boas e outras assim-assim da visita a Bacu, onde nesta terça-feira bateu o Azerbaijão por 2-0. Desde logo, a equipa de Paulo Bento regressou às vitórias cinco jogos depois, e fê-lo sem sofrer golos, quando nas cinco partidas anteriores tinha concedido dez. E os três pontos que somou são importantes para continuar a lutar pelo segundo lugar no Grupo F de qualificação para o Mundial 2014. Só que, tal como tinha acontecido aquando da visita dos azerbaijanos a Portugal, em Setembro de 2012, a selecção demorou mais de uma hora a conseguir desfazer a teia montada por Berti Vogts e a bater o guarda-redes adversário. E a exibição dos jogadores comandados por Paulo Bento nem por sombras traduziu a diferença entre as duas equipas no ranking da FIFA. Na última actualização da hierarquia mundial, a equipa portuguesa surge no sétimo posto, enquanto o Azerbaijão ocupa a 116.ª posição.

No total, mostravam as estatísticas da partida divulgadas pela Federação Portuguesa de Futebol, Portugal acumulou 29 remates (oito enquadrados com a baliza) contra apenas um dos anfitriões. Foi ao guarda-redes Agayev (que já em Braga tinha estado em destaque) e à falta de pontaria dos jogadores portugueses que se deveu o nulo que o marcador registava ao intervalo. Danny, João Moutinho, Hélder Postiga, Miguel Veloso, Bruno Alves (que acertou nos ferros da baliza, na marcação de um livre) e Vieirinha – todos eles remataram pelo menos uma vez na primeira parte, mas os golos não passaram de uma miragem.

Vieirinha – uma das novidades na equipa de Paulo Bento, juntamente com Danny – até foi dos que estiveram em melhor nível no primeiro tempo. O extremo do Wolfsburgo foi quem mais cruzamentos fez na partida: nove na primeira parte e oito na segunda. Dos 36 cruzamentos feitos por Portugal na partida, 23 vieram do lado direito. Ilustrativo do trabalho feito por Vieirinha.

Para além da bola de Bruno Alves que acertou no poste (40’), Portugal teve outra oportunidade flagrante para marcar, já no período de compensação. Após um remate enrolado de Raul Meireles, a bola sobrou para Hélder Postiga, que, na cara de Agayev, cabeceou para enorme defesa do guarda-redes azerbaijano. Mas não foi ele o único guardião a brilhar: ainda que o melhor que se tenha visto do Azerbaijão tenha sido uma mão-cheia de incursões pelo meio-campo de Portugal, quase sempre inofensivas, Rui Patrício teve de mostrar serviço aos 34’. Numa intervenção corajosa, o guarda-redes do Sporting tirou a bola dos pés de Abishov e evitou o 1-0.

Estava escrito que, tal como no jogo em Braga, só haveria golos na segunda parte. O panorama melhorou para o conjunto de Paulo Bento quando o Azerbaijão ficou reduzido a dez jogadores. Em poucos minutos, Aliyev viu dois cartões amarelos (51’ e 55’) e deixou a equipa em inferioridade numérica. Para tirar partido desse facto, o seleccionador nacional reforçou o ataque, lançando Hugo Almeida na partida, para o lugar de Raul Meireles.

Expulsão e golos
Foi uma questão de minutos até Portugal chegar à vantagem: Bruno Alves, após um canto de João Moutinho, saltou mais alto que toda a gente e fez o 1-0 (63’). Foi o oitavo golo do defesa pela selecção, e o terceiro no apuramento para 2014 – na sexta-feira Bruno Alves já tinha marcado em Israel. E foi uma espécie de déjà vu, porque tinha sido nesse mesmo minuto que a equipa nacional quebrara a resistência do Azerbaijão, em Setembro do ano passado (já agora, Bruno Alves também marcou nesse jogo).

Desta vez, ao contrário do que sucedeu em Israel, a selecção conseguiu não adormecer quando se viu em vantagem. Paulo Bento admitira uma “dificuldade em conviver com situações de conforto”, mas a equipa manteve o ritmo e, sem surpresa, marcou o segundo aos 79’. Fábio Coentrão subiu pelo lado esquerdo e cruzou para Hugo Almeida, que cabeceou para golo, sem qualquer oposição. E ainda haveria tempo para um falhanço incrível de João Pereira, já no tempo de compensação. O lateral entrou na área pelo lado direito e, livre de marcação, rematou cruzado para fora.

Repetiu-se o resultado e os marcadores da última visita portuguesa a Bacu, a 13 de Outubro de 2007, então na qualificação para o Euro 2008 e sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Mas confirmaram-se também as dificuldades que Portugal tem tido frente a esta selecção. Os dados da empresa de estatísticas de desporto Opta resumem-nas bem: nos dois jogos disputados no apuramento para o Mundial 2014, Portugal marcou cinco golos ao Azerbaijão, num total de 73 remates.

Apesar disso, e mesmo não tendo começado bem este duplo compromisso, as nuvens dissiparam-se ligeiramente do horizonte da selecção. Para 7 de Junho está marcado encontro com a Rússia.

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