A Baga no seu melhor

Os Baga Friends não são apenas amigos da grande casta tinta bairradina, são produtores que fazem alguns dos melhores Baga da região. O grupo, de que faz parte também o Palace Hotel do Bussaco (ver texto ao lado), é composto por Mário Sérgio (Quinta das Bágeiras), Luís Pato, Filipa Pato, Paulo Sousa (Sídónio de Sousa), João Póvoa (kompassus), François Chassans (Quinta da Vacariça), Dirk Niepoort (Quinta de Baixo). Juntaram-se para promover a Baga e, sobretudo, para salvar do arranque as vinhas velhas da casta que ainda existem na Bairrada.

A Baga é capaz de originar os melhores e os piores vinhos da região. Os bons são mesmo bons, únicos e duradouros, e provêm quase sempre das vinhas mais velhas, menos produtivas e bem adaptadas aos solos argilo-calcários da região. Para a prova do passado dia 12, Paulo Sousa levou os Sidónio de Sousa 1990, 1995 e 1997, três vinhos com a marca da casa, pungentes nos taninos e na acidez, sólidos e complexos. Magnífico o 1995, muito fresco e delicado. O criador do kompassus, João Póvoa, mostrou dois dos melhores vinhos que produziu quando ainda possuía a Quinta de Baixo: o 1991 e o 2003.

Impressionante o primeiro, pela frescura e juventude que ainda apresenta; extraordinário o segundo, pela elegância, complexidade e nervo que demonstra. De Luís Pato foram provados o Vinhas Velhas 2001, o Vinha Pan 2001 e o Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2003. Três vinhos excelentes, em particular o Vinha Pan, o mais civilizado e elegante, e o pé Franco, o mais complexo, longo e poderoso.

François Chassans, um francês que se apaixonou pelos vinhos da Bairrada e os coloca ao nível dos melhores de França, apresentou as suas duas primeiras colheitas, o Quinta da Vacariça 2008 e 2009. O primeiro tem uma frescura soberba, mas os taninos são demasiado secos, pelo que, nesta fase, causa mais impacto o 2009, mais maduro e equilibrado. Mário Sérgio fez-se representar pelo Bágeiras Garrafeira 1995, um dos vinhos mais originais e vibrantes da prova, um monstro de tanino e acidez. Por seu lado, Dirk Niepoort, um duriense há muito tempo rendido aos vinhos da Bairrada e que no ano passado comprou a Quinta de Baixo, perto de Cantanhede, deu a conhecer as três últimas colheitas: os Quinta de Baixo 2010, 2011 e 2012. Com estes vinhos, fresquíssimos e mais amigáveis no palato, Dirk mostra que pretende seguir por um caminho um pouco diferente do dos seus pares, produzindo vinhos estruturados e frescos mas mais delicados, com taninos menos agressivos. Uma forma mais moderna de interpretar a Bairrada.

Ainda se provaram um tinto de 1988 do Grupo dos 8 (oito produtores da Bairrada que se juntavam para fazer um vinho de Baga), ainda cheio de frescura mas um pouco seco de mais), dois vinhos fortificados e alguns brancos do grupo, dos quais merecem destaque o Bágeiras Bical 1995 (vivíssimo), o Bágeiras Garrafeira 2001 (austero, picante e interminável) e o Filipa Pato 2006 (muito aromático, fino e delicado). Demasiado vinho bom para uma prova só.