Santo Tirso “de pernas para o ar”

Manuel António Pina é o “herói” de mais uma edição do evento A Poesia Está na Rua — o programa começou ontem e estende-se até 30 de Abril
Foto
Manuel António Pina é o “herói” de mais uma edição do evento A Poesia Está na Rua — o programa começou ontem e estende-se até 30 de Abril ADRIANO MIRANDA

Autarquia de Santo Tirso dedica edição deste de A Poesia Está na Rua ano a Manuel António Pina

O "estendal poético" está na rua já desde quinta-feira, dia em que a poesia e a música foram transportadas pelas ruas de Santo Tirso ao volante de um "xata biatura". O que não estava no programa desta iniciativa lançada em 2004 pela Câmara local, e comissariada por Alberto Serra, é que Manuel António Pina "regressasse" tão cedo ao programa, depois de ter sido o poeta homenageado em 2006. A morte prematura, no ano passado, do autor de O País das Pessoas de Pernas para o Ar levou a autarquia a dedicar-lhe a edição deste ano de A Poesia Está na Rua, num programa que vai estender-se até 30 de Abril. O momento mais formal da homenagem decorre já amanhã à noite, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa sessão em que participarão dois especiais amigos do poeta, Osvaldo Manuel Silvestre, professor e crítico literário, e João Botelho, realizador, que foi também o ilustrador dos primeiros livros de Manuel António Pina.

No resto - e "por outras palavras" -, Santo Tirso vai tornar-se "o país das pessoas de pernas para o ar". A abertura do calendário Manuel António Pina fez-se ontem à noite com a inauguração, na Fábrica Santo Thyrso, da exposição O uniVerso Pina, reunindo manuscritos, desenhos originais e maquetas para livros, poemas inéditos, recortes e fotografias do arquivo familiar do jornalista-poeta. No programa avulta também a exibição, no Auditório da Biblioteca Municipal, de um pequeno ciclo com "os filmes da vida" de Manuel António Pina, a começar pelo incontornável A Noite do Caçador, de Charles Laughton - filme sem o qual o autor "seria outro (alguém muito mais desoladamente pobre)", como o próprio escreveu -, mas também A Palavra, de Carl Th. Dreyer, A Terra Vista da Lua, de Pier Paolo Pasolini, e o inevitável Aniki-Bóbó, de Manoel de Oliveira, a que Manuel António Pina dedicou um ensaio, finalmente editado no ano passado pela Assírio & Alvim. Com a mesma chancela, será também lançada em Santo Tirso uma terceira recolha das crónicas do autor, com o título Crónica, Saudade da Literatura, com apresentação a cargo de Sousa Dias.