Governo: aumentar salário mínimo seria “presente envenenado”

Primeiro-ministro avisa que "não é agora que o Governo vai vacilar".

Passos Coelho fez a defesa do Governo, ao afirmar que só não comete erros quem não toma decisões
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Passos Coelho fez a defesa do Governo, ao afirmar que só não comete erros quem não toma decisões Miguel Manso

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu nesta sexta-feira que o aumento do salário mínimo nacional, actualmente nos 485 euros, seria “o melhor presente envenenado” que o Governo poderia dar “às pessoas, às empresas e ao país”.

“Pôr o Governo a determinar por lei o aumento do salário mínimo seria o melhor presente envenenado que poderíamos dar às pessoas, às empresas e ao país”, afirmou o primeiro-ministro, no arranque do debate quinzenal na Assembleia da República.

Na primeira intervenção, o líder do executivo começou por fazer a defesa do Governo, ao afirmar que “só não comete erros quem não toma decisões” e sublinhou que o Governo tem mantido o diálogo em sede de concertação social sobre esta e outras matérias, enumerando o esforço de “um equilíbrio delicado”.

Passos Coelho frisou que “não é agora que este Governo vai vacilar” e avisou que se pode “desiludir” quem acha que o Governo vai desistir às primeiras dificuldades. “Este Governo tem carácter”, dramatizou, logo de seguida. "Num momento de incerteza externa, mas sobretudo num momento em que as dificuldades internas começam a apresentar resultados duradouros para o país, não é agora que este Governo vai vacilar."

António José Seguro, secretário-geral do PS, aproveitou o balanço da intervenção do primeiro-ministro para o acusar de ser o único que não defende, neste momento, o aumento do salário mínimo: "Só há uma pessoa neste país que considera um erro aumentar o salário mínimo nacional: o primeiro-ministro".

Seguro voltou a afirmar que o tempo deste Governo chegou ao fim, justificando a afirmação com o facto de Passos Coelho não ouvir nem compreender os portugueses: "Senhor primeiro-ministro, vou dizer-lhe o que os portugueses queriam dizer-lhe neste momento: o seu tempo chegou ao fim. O primeiro-ministro e o seu Governo estão esgotados e chegou o momento de saírem".