Candidatura do Nordeste Transmontano, Zamora e Salamanca a Reserva da Biosfera pronta até Setembro

Ainda este mês, as regiões e autarquias envolvidas vão entregar projecto aos governos de Portugal e Espanha, que o apresentarão depois à Unesco.

O Parque Natural de Montesinho é uma das áreas integradas neste projecto transfronteiriço
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O Parque Natural de Montesinho é uma das áreas integradas neste projecto transfronteiriço Paulo Pimenta

A proposta da candidatura ibérica a maior Reserva da Biosfera da Europa será entregue no final do mês aos governos de Portugal e Espanha, anunciaram esta sexta-feira os promotores que esperam poder levar o processo, em Setembro, à aprovação da Unesco.

 As regiões de Bragança, em Portugal, e de Salamanca e Zamora, em Espanha, começaram a preparar a candidatura há dois anos, através do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial - o ZASNET AECT - que engloba municípios do Nordeste Transmontano, concretamente da Terra Fria, Terra Quente e Douro Superior, do lado português, e de Zamora e Salamanca, do lado espanhol.

O estatuto de Reserva da Biosfera é uma espécie de selo de qualidade atribuído pela Unesco a territórios reconhecidos pelo pelo uso sustentável do espaço e pela preservação da biodiversidade.

Num seminário ibérico que decorreu hoje em Bragança, foi apresentada a versão preliminar da candidatura “que será entregue, até ao final de Março, no Ministério do Ambiente espanhol, em Madrid, que iniciará um processo de articulação formal com o Ministério do Ambiente português”, adiantou à Lusa o presidente da Câmara de Bragança e do ZASNET, Jorge Nunes.

Segundo o autarca, os governos dos dois países terão depois um período de 60 dias para procederem à avaliação técnica e cientifica de modo a, até ao final de Junho, ser apresentada a versão definitiva da candidatura e do plano de acção. esta fase do processo deverá estar pronta em Setembro para apresentação da candidatura à Unesco.

Se a decisão do organismo internacional for favorável, será criada “a maior Reserva Transfronteiriça da Europa”, que abrangerá um território com uma área equivalente à região norte de Portugal.

Neste território concentram-se várias áreas protegidas portuguesas e espanholas como os parques naturais de Montesinho, do Douro Internacional, de Sanábria e das Arribas do Douro, alguns território inseridos na Rede Natura, como a Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo, Romeu, Sierra de la Culebra, Lagunas de Villafafila e Rio Sabor/Rio Maçãs.

O autarca social-democrata sublinhou que da parte das autoridades locais estão assegurados os passos necessários, admitindo, no entanto que se trata “de um processo difícil”, sobretudo ao nível da articulação entre os governos dos países, a fase que se segue. Jorge Nunes considerou que cooperação territorial transfronteiriça que este processo implica vai “ao encontro das estratégias mais desenvolvidas da União Europeia no que diz respeito às políticas para os territórios de baixa densidade”.

Por todo o mundo há algumas centenas de sítios com esta classificação e em Portugal o primeiro a ser distinguido pela Unesco foi a Reserva Natural do Paul do Boquilobo, que se estende pelos concelhos de Torres Novas e Golegã. As ilhas das Flores e da Graciosa, nos Açores, são outros dos sítios portugueses com a classificação criada pela Unesco para distinguir e incentivar a conciliação entre a conservação e o uso dos recursos naturais, o chamado desenvolvimento sustentável.