Líder do PKK apela ao cessar-fogo e à retirada dos combatentes da Turquia

Anúncio de Abdullah Öcalan é visto como "um dos passos mais importantes de sempre na história deste conflito".

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O roteiro para a paz delineado por Ocalan deverá estar concluído até ao final do ano
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O roteiro para a paz delineado por Öcalan deverá estar concluído até ao final do ano Vincent Kessler/Reuters

O fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão lançou esta quinta-feira um apelo histórico, que poderá marcar o início do fim do conflito de três décadas na Turquia. Detido desde 1999, Abdullah Öcalan aproveitou as comemorações do Ano Novo curdo para pedir aos seus combatentes que larguem as armas e saiam do território turco.

"Que as armas se calem e que a política prevaleça", afirmou Öcalan, que está preso numa cadeia turca há 15 anos, numa declaração citada pelas agências internacionais. "Chegou o momento de as nossas forças armadas se retirarem para além das fronteiras. Não é o fim; é o início de uma nova era", defendeu o fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O apelo ao cessar-fogo surge uma semana depois de o PKK ter libertado oito reféns turcos que tinham sido capturados no Iraque em 2011 e na sequência de um roteiro para a paz delineado pelo próprio Abdullah Öcalan, de que se destacam três passos: o cessar-fogo, a retirada dos combatentes do PKK da Turquia para o Norte do Iraque e o desarmamento dos guerrilheiros. O plano de Öcalan deixa cair a exigência da criação de um Estado independente, mas sublinha a necessidade de a Constituição turca reflectir uma maior protecção dos direitos do seu povo.

"O facto de o PKK não querer retirar todos os seus combatentes antes do anúncio da nova Constituição [turca] significa que quer guardar um trunfo para as negociações com vista às alterações constitucionais. Mas o Governo [turco] parece ter aceitado essas condições", disse ao jornal The Guardian Mesut Yegen, especialista no conflito armado que começou em 1984 e que já fez mais de 40 mil mortos. Yegen não tem dúvidas quanto à importância do anúncio desta quinta-feira: "O anúncio do cessar-fogo será um dos passos mais importantes de sempre na história deste conflito."

Numa declaração proferida na segunda-feira aos media turcos, o ministro da Justiça da Turquia, Sabdullah Ergin, disse esperar que o roteiro delineado pelo histórico líder do PKK esteja concluído até ao final do ano.

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão é uma organização armada que luta desde 1984 pela criação de um Estado autónomo no Sudeste da Turquia, zona maioritariamente curda, e considerado uma organização terrorista pela União Europeia e pelos EUA. O seu fundador, Abdullah Öcalan , foi capturado no início de 1999 pelos serviços secretos turcos no Quénia, onde se encontrava refugiado. O Tribunal de Segurança do Estado condenou-o à morte, pena que seria comutada três anos depois para prisão perpétua, quando Ancara decidiu abolir a pena capital.