Jovem que morreu em Setúbal não apresenta ferimentos de balas

Autópsia foi realizada nesta segunda-feira. Morte resultou de "lesões traumáticas decorrentes de acidente".

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Miguel Madeira

O corpo do jovem que morreu no sábado no Bairro da Bela Vista, em Setúbal, na sequência de uma perseguição policial, não apresenta vestígios de ferimentos de balas, revelou a autópsia feita na tarde desta segunda-feira.

Ruben Marques seguia de motorizada quando se despistou, depois de desobedecer a uma ordem de agentes da PSP para parar. Os polícias dispararam tiros com balas de borracha e garantem ter atirado para o ar e não em direcção ao jovem. Os moradores acusaram a PSP de ser a responsável pela morte do jovem.

"Não foram detectados no corpo quaisquer vestígios ou sinais de lesões provocadas por disparo de arma de fogo", diz um comunicado emitido pela Procuradoria-Geral da República. A autópsia foi realizada nesta segunda-feira, em Setúbal, e "embora não esteja ainda elaborado o relatório da autópsia", a PGR diz que se pode afirmar "que a morte resultou de lesões traumáticas cranianas decorrentes de acidente". O Ministério Público abriu um inquérito na sequência da morte de Ruben Marques e duas magistradas assistiram à autópsia, diz o mesmo comunicado.

A morte do jovem na sequência da perseguição policial esteve na origem de distúrbios no Bairro da Bela Vista no sábado à noite, com grupos de jovens a arremessarem pedras e a incendiarem caixotes do lixo. Este caso levou também a presidente da Câmara de Setúbal a reunir-se com Miguel Macedo, ministro da Administração Interna. Maria das Dores Meira disse que o ministro ficou “sensibilizado” e deverá responder “nos próximos dias” ao pedido de reforço do policiamento de proximidade no Bairro da Bela Vista. A autarquia setubalense já tinha apelado a um policiamento de proximidade naquele bairro.

A morte deste jovem motivou também a abertura de um inquérito por parte da Inspecção-Geral da Administração Interna e do Ministério Público.