Marcelo: Vítor Gaspar perdeu credibilidade, “parece um astrólogo”

Abril e Maio serão “meses complicados” para o Governo. Passos “devia pensar a sério numa remodelação”.

Foto
Marcelo deverá falar sobre a CGD na próxima quinta-feira Nuno Ferreira Santos

O ministro das Finanças, “o bom aluno” de Bruxelas, pode ter conseguido melhorar a imagem externa de Portugal e a credibilidade do país junto dos mercados, mas acabou por “chumbar o ano”. Vítor Gaspar “chumbou porque não estudou economia portuguesa”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, neste domingo, no habitual espaço de comentário na TVI.

“Parece um astrólogo, não parece um ministro das Finanças. Perdeu larguissimamente a credibilidade”, sublinhou o antigo presidente do PSD, para quem o “fracasso” no défice do ano anterior – que ficou muito acima do previsto pelo Governo – foi o pior dos números apresentados na sequência da sétima avaliação da troika.

Marcelo considera que o aumento dos números do desemprego, o agravamento da recessão e a falta de confiança de cidadãos e investidores poderiam ser tratados como consequência da crise. Mas que os consecutivos erros na previsão do défice orçamental de 2012 põem em causa a capacidade técnica de Vítor Gaspar.

O comentador, que disse acreditar que o ministro das Finanças percebeu que está a ser posto em causa, defendeu que o Executivo não deve fazer previsões “que já sabe que vão ser desmentidas”. Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que “manter o prestígio externo fica difícil quando se começam a ter muitos problemas internos”.

“O primeiro-ministro devia pensar seriamente numa remodelação [governamental]”, afirmou Marcelo, alertando para a crise política que eventuais eleições antecipadas para este ano poderiam causar no país, a meses das autárquicas e com a União Europeia “refém das eleições alemãs” e a braços com o resgate “politicamente criminoso” a Chipre. “O Governo deve estar a pensar em eleições antecipadas para 2014.” Não concretizou, contudo, se Gaspar deve ou não sair.

O social-democrata antecipou Abril e Maio como “meses complicados” para o Governo, com a decisão do Tribunal Constitucional sobre a legalidade de algumas das medidas previstas no Orçamento do Estado para 2013, o debate com troika sobre novos cortes na despesa pública e o discurso do Presidente da República no 25 de Abril.

Marcelo Rebelo de Sousa sugeriu mesmo que Cavaco Silva “devia pensar em convocar um Conselho de Estado” por essa altura. O comentador teme que os novos cortes na despesa a negociar com a troika sirvam para “juntar recessão à recessão”. “A economia existe para as pessoas, existe para criar emprego.”