Toyo Ito é o novo Pritzker e o prémio vai outra vez para um arquitecto japonês

Prémio mostra a importância da arquitectura japonesa contemporânea. Júri diz que Ito é autor de edifícios intemporais.

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Toyo Ito, o Prémio Pritzker 2013 Yoshiaki Tsutsui
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Museu da Arquitectura, 2006-2011, Ehime, Japão
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Museu da Arquitectura, 2006-2011,Ehime
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Museu da Arquitectura, 2006-2011,Ehime, Japão
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Casa U Branco, 1975-76, em Tóquio
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Casa U Branco, 1975-76, em Tóquio
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Toyo Ito com Álvaro Siza em Veneza, quando ambos ganharam o Leão de Ouro DR
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Estádio Principal para os Jogos Mundiais de 2009 (2006-2009) Taiwan
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Torre dos Ventos, 1986, Kanagawa, Japão
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O pavilhão da Serpentine Gallery, 2002, Londres
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Mediateca de Sendai, 1995-2000, Miyagi, Japão
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Edifício Tod's, 2002-2004, Tóquio, Japão
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Edifício Tod's, 2002-2004, Tóquio, Japão
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Edifício Tod's, 2002-2004, Tóquio, Japão

O arquitecto japonês Toyo Ito, de 71 anos, é o novo Prémio Pritzker de Arquitectura, anunciou no domingo a Fundação Hyatt, o mecenas que dá aquele que é conhecido como o Nobel da profissão.

Ito é o sexto arquitecto japonês a receber aquela que é a mais importante distinção na área da arquitectura, depois de Kenzo Tange em 1987, Fumihiko Maki em 1993, Tadao Ando em 1995 e a dupla Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa em 2010.

O presidente do júri, Lord Palumbo, explicou a escolha deste ano, citado pelo comunicado do Pritzker: “Ao longo da sua carreira, Toyo Ito foi capaz de produzir um corpo de trabalho que combina inovação conceptual com edifícios soberbamente executados. Criando uma arquitectura fantástica há mais de 40 anos, ele fez com sucesso bibliotecas, casas, parques, salas de concerto, lojas, edifícios de escritórios e pavilhões, tentando, de cada vez, alargar os limites da arquitectura. Um profissional de talento único, dedicou-se ao processo da descoberta que encontra nas possibilidades que há em cada encomenda e em cada sítio.”

Toyo Ito, que em 2002 recebeu em ex aequo com o arquitecto português Álvaro Siza o Leão de Ouro da Bienal de Arquitectura de Veneza, comentou assim o prémio, citado pelo comunicado: “A arquitectura está limitada por vários constrangimentos sociais. Tenho desenhado arquitectura procurando fazer espaços mais confortáveis, tentando libertar-me de todos as restrições, nem que seja por um momento. Mas, quando um edifício está terminado, eu torno-me consciente, de uma forma dolorosa, da minha desadequação, e isso transforma-se em energia para o desafio do próximo projecto. Assim, eu nunca terei um estilo fixo e nunca estarei satisfeito com o meu trabalho.” 

Edifícios intemporais
O comunicado do júri continua, dizendo que Ito é um criador de "edifícios intemporais", que ao mesmo tempo desafiam novos caminhos: "Os seus projectos de arquitectura têm um ar de optimismo, leveza e alegria, e estão impregnados de uma qualidade única e de uma universalidade." O júri deu-lhe o prémio por estas razões "e pela síntese que faz da estrutura, do espaço e da forma, criando espaços inovadores, pela sensibilidade à paisagem, por emprestar aos seus desenhos uma dimensão espiritual e pela poética que transcende todos os seus trabalhos". 

Segundo o crítico de arquitectura do PÚBLICO Jorge Figueira, o prémio para Toyo Ito "é muito justificado e revela o bom momento da arquitectura japonesa, que tem raízes já de décadas". Mostra também o cada vez maior alargamento do mundo arquitectónico a Oriente. O último Pritzker foi entregue ao arquitecto chinês Wang Shu.

Desde o surgimento dos metabolistas em 1960, que se inspiraram na biologia e no funcionamento da natureza para repensar a arquitectura, “que a arquitectura japonesa contemporânea é uma força central”, diz Jorge Figueira. Os vários prémios Pritzker para os japoneses “mostram esse continuada presença”.

Toyo Ito faz um “upgrade das preocupações dos metabolistas com a força e a presença da natureza no Japão, sublinha o crítico: “Inspira-se e usa a relação entre a arquitectura e a natureza, de um modo que não é corrente a Ocidente, mas que vem já da arquitectura tradicional japonesa. Mas esse tema, que é hoje muito politicamente correcto, é abordado com uma grande inteligência e sensibilidade, sem fanatismo ou propaganda. A tecnologia não domina esta arquitectura — é um meio de construir um mundo civilizado, em relação construtiva e dialéctica com a natureza. Por isso serve de exemplo, que é em última análise, o obejctivo da atribuição de um prémio como este.”

"Inovador" é uma palavra geralmente utilizada para descrever o trabalho de Ito. Isso é visível no pavilhão efémero criado para Bruges em 2002 e no Edifício Tod's em Tóquio, de 2004, onde a pele do edifício também serve de estrutura, aponta o júri. "A inovação também é demonstrada pelo uso de materiais tradicionais em maneiras não convencionais, tal como usar betão para criar formas orgânicas fluídas como fez no VivoCity em Singapura."

Toyo Ito diz ao The New York Times que a Mediateca de Sendai é uma das suas obras preferidas, que com a sua estrutura inovadora suportada por tubos resistiu ao terramoto de 2011. Foi com um trabalho para o pavilhão japonês na Bienal de Arquitectura de Veneza sobre os desalojados do terramoto e do tsunami que Ito ganhou novamente o Leão de Ouro, no ano em que Siza também recebia o Leão de Ouro, mas desta vez pela sua carreira.

No livro da Phaidon, que lhe é dedicado, Ito explica, citado pelo mesmo comunicado: “A Mediateca é diferente dos edifícios públicos convencionais de várias maneiras. O edifício funciona principalmente como biblioteca e galeria de arte e a administração trabalhou activamente para acabar com as divisões entre programas diferentes, removendo barreiras fixas entre vários média para mostrar uma imagem de como é que as instalações culturais devem ser daqui para a frente. Esta abertura é o resultado directo da estrutura simples do edifício, que consiste em placas de betão lisas penetradas por 13 tubos. As paredes em cada piso são reduzidas ao mínimo, permitindo às várias funções serem distribuídas pelos espaços abertos entre os tubos.” Sobre este projecto, o júri lembra que Ito luta por uma arquitectura que é fluída e não confinada e que aqui conseguiu emprestar novas qualidades ao espaço interior.

O arquitecto português Eduardo Souto de Moura ganhou o Pritzker em 2011 e Siza em 1992.