S4, o Galaxy que quer ser a estrela

A Samsung já conseguiu a dianteira no mercado de telemóveis. Mas o iPhone continua a ser considerado o aparelho de referência - algo que a multinacional sul-coreana quer mudar.

O novo Galaxy traz muitas novas funcionalidades
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O novo Galaxy traz muitas novas funcionalidades Adrees Latif/Reuters
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Mesmo que ao longo do ano passado praticamente um em cada três smartphones vendidos tenha sido da Samsung, cada modelo de iPhone que a Apple lança ano após ano desde 2007 acaba por ser visto como o aparelho de referência no sector - e o iPhone vende mais do que qualquer outro modelo de smartphone. Com as muitas novas funcionalidades do S4 e as especificações técnicas de topo, a Samsung pretende pôr a Apple na posição de seguidor, observam especialistas.

“Nunca antes um smartphone da Samsung conseguiu tanto interesse”, observou o analista da IDC Francisco Jerónimo, numa nota enviada aos jornalistas. “Isto mostra como a marca se tem tornado forte nos últimos anos, mas também mostra que a Samsung é um dos fabricantes de telemóveis com mais inovação”.

O analista diz que a grande questão que os media têm debatido é saber se este Galaxy vai ser um desafio para a Apple. E afirma que o S4 pode tornar-se o “primeiro smartphone a vender mais do que um iPhone”. Actualmente, observa, a sul-coreana tem sustentado a sua posição de mercado sobretudo com a venda de modelos de baixa e média gama.

Já o analista da Ovum Jow Dawson refere, numa reacção ao anúncio enviada por email, que o S4 “vai indubitavelmente vender bem”. A Samsung “parece estar a tentar matar os concorrentes com o volume de novas funcionalidades”, ainda que muitas delas nunca venham a ser usadas “pela maioria dos utilizadores”.

O novo modelo incorpora várias novas funcionalidades: por exemplo, o controlo de algumas ferramentas através de gestos (sem ter de tocar no ecrã), a possibilidade de gravar som quando se tira uma fotografia, os vídeos que param quando o utilizador desvia o olhar e as duas câmaras (traseira e frontal) que podem ser usadas em simultâneo. No que diz respeito a especificações técnicas, o S4 tem um grande ecrã de cinco polegadas com uma resolução de 441ppi (muito acima da do iPhone 5), 2GB de RAM, 13 megapixels na câmara traseira e uma capacidade de armazenamento que oscila entre os 16GB e os 64GB. Em alguns mercados, será vendido com um processador de oito núcleos, uma estreia nos smartphones  (mas que coloca mais pressão sobre a duração de bateria).

Para Dawson, a Sasmung pode actualmente contar com um grande orçamento de  marketing e com o pouco investimento da concorrência no desenvolvimento de software para se manter na dianteira. “Mas a concorrência vai apanhá-la (tal como a Samsung apanhou a Apple em muitos aspectos)”. O desafio, argumenta, é agora o mesmo que a fabricante do iPhone também tem: como continuar a melhorar o produto, quando os modelos no mercado já são o topo da gama.

O grande esforço de promoção, em particular para esta apresentação, já teve, contudo, algumas consequências negativas. O presidente da rival HTC,Jason MacKenzie, criticou a marca por ter mostrado algumas funcionalidades que estão presentes em todos os telemóveis com Android e afirmou ao site americano CNet que a Samsung parecia ter gasto mais dinheiro em marketing do que em inovação.

Por outro lado (e numa observação vinda de uma parte menos interessada) o espectáculo que acompanhou a apresentação do S4 foi classificado como sexista pela editora executiva daquele site, que criticou o uso de estereótipos, de personagens como mulheres bêbedas a usarem o telemóvel e o uso recorrente de situações sexualmente sugestivas.

A Samsung planeou para uma comercialização invulgarmente rápida do novo modelo, que estará a partir de Abril à venda em 155 países - ou seja, praticamente todo o mundo.

“Ao lançar o Galaxy S4 no final de Abril, em vez de Junho ou Julho, a Samsung vai tirar partido de um período de vendas quase exclusivo de vários meses, em que a competição de topo é mínima”, observou Francisco Jerónimo. “Isto vai pôr pressão na Apple para inovar no lançamento do próximo iPhone”.

A data de comercialização, no entanto, também pode ser vista como uma jogada defensiva, argumentou o analista da Asymco Horace Dediu: "Toda a gente fica de fora dos períodos de lançamento do iPhone".