Há milhares de porcos mortos em Xangai e ninguém sabe porquê

Cerca de 6000 animais já foram retirados do rio Huangpu, a principal fonte de água da maior metrópole chinesa.

Milhares de porcos já foram retirados do rio, mas as autoridades dizem que a água é segura
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Milhares de porcos já foram retirados do rio, mas as autoridades dizem que a água é segura Peter Parks/AFP
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Tudo indica que os animais vêm de Jiaxing, mas não há confirmação ainda REUTERS
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Suinicultura em Jiaxing, onde todos os porcos morreram REUTERS
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Animais mortos estão agora a ser recolhidos, para evitar que sejam deitados ao rio AFP
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A contagem de carcaças recolhidas estava em 5916 na terça-feira PETER PARKS/AFP
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Autoridades sanitárias reforçaram a frequência das análises à qualidade da água ALY SONG/REUTERS

Cerca de 6000 porcos mortos foram retirados nos últimos dias do rio Huangpu, a principal fonte de água da metrópole chinesa de Xangai, com mais de 20 milhões de habitantes. Mas até esta quarta-feira, ninguém sabia explicar ao certo de onde vinham e por que tinham morrido.

A principal origem suspeita é o município vizinho de Jiaxing, onde há cerca de 100.000 suiniculturas, com 4,5 milhões de porcos criados por ano, segundo números avançados pela comunicação social chinesa.

Os animais mortos começaram a ser encontrados em grande quantidade já na semana passada, em cursos de água entre Jiaxing e Xangai, sobretudo no rio Huangpu. Até terça-feira, tinham sido removidas 5916 carcaças.

A população está preocupada com o impacto sobre a qualidade da água para consumo humano, que é captada no Huangpu. As autoridades reforçaram a frequência de análises à água da torneira e têm dito que, até agora, não foi detectado qualquer problema de poluição.

Pelo menos 14 brincos que servem de bilhete de identidade dos animais indicavam que tinham nascido em Jiaxing, não significando que tenham sido lá criados. “Pelo que sabemos, não excluímos a possibilidade de que os porcos mortos encontrados em Xangai sejam de Jiaxing. Mas não temos certeza absoluta”, disse um porta-voz do governo local, Wang Dengfeng, citado pelo jornal Shanghai Daily.

Toda a área em torno de Xangai está povoada de lagos e é atravessada por inúmeros cursos de água, formados pelo enorme delta do rio Yangtze. Os porcos poderão vir de outros locais, segundo Wang Dengfeng.

As informações sobre a causa da morte dos animais são controversas. As primeiras análises identificaram, num animal, a presença de um vírus que afecta apenas os suínos – o circovírus. Embora as autoridades veterinárias digam que não há nenhum sinal de epidemia, estatísticas indicam a morte de 10.078 animais em Janeiro e 8325 em Fevereiro. “Estes números ainda precisam de ser verificados”, disse o director dos serviços veterinários de Jiaxing, Jiang Hao, citado pelo Shanghai Daily.

Há quem diga que a causa terá sido o frio e que os porcos estão a morrer a um ritmo de 300 por dia.

Ironicamente, medidas de controlo sanitário do comércio da carne de porco podem ser a explicação para os animais estarem a ser deitados ao rio. Com tantas suiniculturas na região, a carne dos animais mortos ou doentes tem vindo a alimentar redes ilegais de comércio, contra as quais as autoridades de Jiaxing investiram firmemente.

Em Novembro, 17 pessoas foram presas, acusadas de vender ilegalmente mais de mil toneladas de carne obtida de 80.000 porcos por doença na região, ao longo de três anos. Três dos acusados foram condenados a prisão perpétua.

Nesta quarta-feira, mais 46 pessoas foram condenadas, com penas de seis meses a seis anos e meio de prisão, pelo mesmo motivo, segundo a agência de notícias chinesa Xinhua.

Com a válvula de escape do comércio ilegal fechada, os suinicultores poderão estar a desfazer-se dos animais mortos simplesmente deitando-os para o rio.

O consumo de carne na China tem subido em flecha desde os anos 1980. No ano passado, os chineses comeram 71 milhões de toneladas de carne, mais do dobro do consumo norte-americano (33 milhões). Três quartos são carne de porco, a preferida dos chineses: cada cidadão consome 38 quilos por ano, contra 27 por cada norte-americano, que opta mais pelo frango e vaca.