Portugal pode ter perdido mil milhões de euros para agricultura

Capoulas Santos diz que o "envelope" português poderá ter menos mil milhões de euros no próximo quadro comunitário.

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Falta saber se os novos agricultores terão mercado para os seus produtos DANIEL ROCHA

“O primeiro-ministro disse [no final do Conselho Europeu de 8 de Fevereiro] que Portugal tinha perdido 7,5% de um 'envelope' de 8,1 mil milhões. Portanto, se fizer as contas, isto dá cerca de 600 milhões de euros”, afirmou o deputado e ex-ministro aos jornalistas, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, a decorrer em Estrasburgo, acrescentando que a sua “convicção” é a de que as perdas possam ser “qualquer coisa como o dobro dessa verba”. Isto porque, acrescentou, “descobriu” que as verbas do algodão e do Programa de Opções Específicas relativas ao Afastamento e à Insularidade (POSEI) “que, nas propostas da Comissão e do Parlamento, não estavam incluídas no primeiro pilar, na decisão do Conselho terão sido”, o que, caso se confirme, “significa para Portugal menos 400 milhões de euros do que aquilo que foi anunciado pelo senhor primeiro-ministro”.

Contas feitas, o deputado afirmou estimar um "prejuízo" que pode "atingir os mil milhões de euros a menos para o próximo quadro comunitário", que vigorará entre 2014 e 2020, mas ressalvou que esta situação só poderá ser confirmada quando forem divulgados os dados do "envelope" português para a agricultura, acordado no âmbito do orçamento comunitário para o período 2014-2020, o que ainda não aconteceu. "Não estou a dizer que o primeiro-ministro mentiu”, disse o deputado, acrescentando que Pedro Passos Coelho “divulgou os dados que quis divulgar”.

Capoulas Santos afirmou ainda que continua a “insistir” com a Comissão Europeia e com o Conselho para que sejam divulgados os números referentes aos "envelopes" para a agricultura acordados com os diferentes Estados-membros na última cimeira europeia, afirmando que os mesmos “estão a ser escondidos dos deputados”.

A 21 de Fevereiro, o eurodeputado socialista já havia acusado, em declarações à Lusa, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu de “falta de transparência”, por não terem divulgado os "envelopes" financeiros da PAC, considerando que poderia haver perdas superiores ao anunciado.

A 8 de Fevereiro, durante o Conselho Europeu, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) chegaram a um acordo sobre o orçamento comunitário para o período 2014-2020. No final da cimeira, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho manifestou a sua satisfação com o acordo, afirmando que Portugal obteve, no conjunto da política de coesão e da PAC, um valor de 27,8 mil milhões de euros.