Carpe Diem em Lisboa

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Carpe Diem Arte e Pesquisa Rua do Século, 79, Lisboa Até 31 de Maio

Desde Maio de 2009 que o magnífico, sumptuoso e quase esquecido Palácio Pombal (Rua do Século, em Lisboa) foi ocupado pelo Carpe Diem Arte e Pesquisa. Fundado pelo curador e crítico brasileiro Paulo Reis, falecido em 2011, este lugar de arte surgiu da vontade de criar uma estrutura expositiva que não fosse nem um museu nem uma galeria e que permitisse aos artistas mostrar as suas obras fora dos contextos habituais. E o que começou por ser um espaço alternativo transformou-se num lugar obrigatório na cena das artes em Lisboa. Por lá já passaram centenas de artistas, dos mais consagrados àqueles em início de carreira.

A cada três meses, a Carpe Diem inaugura um grupo de exposições que podem, ou não, ter relações entre si. A preocupação é deixar que cada artista entre em diálogo com o espaço e desenvolva o projecto que achar mais adequado para aquele contexto expositivo e para o momento da sua carreira. Fruto desta liberdade criativa, muitas obras entram em diálogo directo com a arquitectura, com o jardim ou com a história do palácio. Uma relação intensa com o espaço que tem servido não só para ir recuperando o edifício (que estava totalmente abandonado e maltratado), bem como intensificar o diálogo entre os artistas portugueses e estrangeiros. A este ambiente internacional e intensidade de exposições, juntam um cuidadoso programa educativo e actividades como conferências ou workshops - relacionados com os temas dos trabalhos expostos - ou concertos.

Desta vez. os artistas convidados são Gabriela Albergaria, Batsry, João Pedro Vale + Nuno Ferreira, Nelson Leirner, Valter Ventura e Alex Gabasi. Não há um denominador comum entre estes diferentes projectos, a não ser o facto de todos serem inéditos em Portugal. Não há a predominância de nenhuma disciplina e as obras exploram coisas tão diferentes como a decoração de edifícios com materiais falsos (G. Albergaria), a relação entre suicídio colectivo e processo criativo a partir da novela de Goethe Werther (Vale e Ferreira) ou a iconografia nacionalista dos ready-mades (Leirner), etc.