Mónica Bettencourt-Dias, de 39 anos, dirige um laboratório no Instituto Gulbenkian de Ciência Daniel Rocha
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Mónica Bettencourt-Dias, de 39 anos, dirige um laboratório no Instituto Gulbenkian de Ciência Daniel Rocha

Bióloga portuguesa representa Europa em artigo da Nature sobre mulheres e ciência

Mónica Bettencourt-Dias é uma das cientistas que representa a Europa num artigo sobre a experiência de investigadoras de vários continentes

Uma cientista portuguesa é a representante da Europa num artigo sobre a experiência de investigadoras de vários continentes, integrado num dossier da revista Nature sobre as mulheres e a ciência, divulgado esta semana.

Mónica Bettencourt-Dias, de 39 anos, uma bióloga que dirige um laboratório no Instituto Gulbenkian de Ciência, aparece ao lado da imunologista brasileira Keity Souza Santos, de 33, da Escola de Medicina da Universidade de São Paulo, da neurocientista norte-americana Kay Tye, de 31 anos, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e da cosmologista sul-africana Amanda Weltman, de 33 anos, investigadora na Universidade da Cidade do Cabo.

O dossier da revista científica, divulgado a dois dias do Dia Internacional da Mulher, integra ainda os artigos “Desigualdade quantificada: atenção à diferença de género” e “As mulheres na ciência: o trabalho das mulheres”. No artigo “A partir da linha da frente: a ciência aos 30 e tal”, divulgado na quarta-feira no “site” da Nature, são apresentadas cientistas mulheres que estão a iniciar laboratórios e a ter filhos.

Pai matemático e mãe cientista social

A investigadora portuguesa, doutorada em bioquímica e biologia molecular, “cresceu rodeada de modelos” ao nível da ciência, com um pai matemático e uma mãe cientista social, refere o artigo. “Apesar de ser relativamente pobre, Portugal tem um excelente histórico na Europa, ao nível da nomeação de mulheres para cargos de topo no meio académico”, indica o texto, assinado por Heidi Ledford, Anna Petherick, Alison Abbott e Linda Nordling.

A cientista portuguesa trabalhou no University College, em Londres, para o seu doutoramento, e depois na Universidade de Cambridge, onde descobriu um regulador principal do centrossoma (região específica da célula), que lhe valeu o primeiro artigo publicado na Nature.

Investigadora principal do grupo de Regulação do Ciclo Celular, Mónica Bettencourt-Dias recebeu, em 2010, um Starting Grant (bolsa) do Conselho Europeu de Investigação no valor de 1,5 milhões de euros, adianta o artigo. A adopção pela cientista portuguesa, há alguns meses, de uma criança de um ano, é assinalada no artigo, assim como a gravidez da norte-americana Kay Tay e de Keity Souza Santos, que espera gémeos, ou os dois filhos de Amanda Weltman, de dois anos e oito meses.

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