Presidente defende que 2013 “tem que ser o ano da inversão” da espiral recessiva

Cavaco considera “positivo” que o Governo tenha pedido o prolongamento do prazo para pagar a dívida mas não se compromete sobre o tempo ideal.

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Rui Gaudêncio

O Presidente da República defende que 2013 “tem que ser o ano da inversão” da tendência de contracção da economia portuguesa e considera que o Governo agiu correctamente ao pedir o prolongamento do prazo para Portugal pagar a dívida.

Questionado pelos jornalistas se considera que Portugal ainda se encontra numa espiral recessiva, como afirmou há uns meses, Cavaco Silva respondeu que “os números são inequívocos”.

Lembrou que “há muitos trimestres que a produção está a cair, que o investimento está a cair acentuadamente, todos os anos, cerca de 10% ou mais, que o consumo está a cair de uma forma brutal e que o desemprego está a crescer de uma forma acentuadíssima. Portanto, os números não deixam dúvidas praticamente a ninguém.”

Devido a este cenário, o Presidente não tem dúvidas de que “o ano de 2013 tem que ser o ano da inversão desta tendência”. Por isso, diz ter apelado “às forças políticas para um entendimento fundamental”, para um “consenso político e um consenso social” que são imprescindíveis neste momento para o país.

Cavaco Silva escusou-se a revelar qual o prazo ideal que o Governo deve defender perante as instâncias europeias para pagar a sua dívida, limitando-se a dizer que “é um passo positivo”. “Sabe-se que no ano 2016 e no ano 2021 se verificavam concentrações muito grandes de amortização da dívida para com o fundo europeu de estabilidade financeira e para com o mecanismo de estabilização financeira”, lembrou o Presidente, quando questionado pelos jornalistas no final de uma visita às instalações do grupo Cerealis, em Lisboa, onde inaugurou a nova ala de moagem de cereais e os silos de armazenamento.

O chefe de Estado recusou comentar as declarações do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que disse que os 15 anos de adiamento pedidos pela Irlanda são “inconcebíveis” e que a Portugal basta uma solução “mais modesta”. Aquilo que tiver a dizer sobre o Governo, Cavaco di-lo ao primeiro-ministro nas reuniões de quinta-feira, justificou.

“Só o Governo tem todos os dados e sabe qual é a reacção que encontra no diálogo com os seus parceiros europeus”, afirmou Cavaco, salientando haver coisas que “não dependem apenas do gosto”, mas também “daquilo que os nossos parceiros europeus e os nossos credores estejam dispostos a dar”.

Porém, se são os próprios credores que estão dispostos a alargar as maturidades, vinca o Presidente da República, “é porque reconhecem que o povo português está a ter um comportamento muito responsável porque está a suportar sacrifícios muito grandes”. Aliás, Cavaco espera que esta sétima avaliação da troika que está a decorrer “tenha em atenção os grandes sacrifícios que têm vindo a ser pedidos ao povo português e a sua atitude muito responsável”.

O Presidente vai mesmo pelo caminho que tem sido trilhado pelo secretário-geral do PS, dizendo que espera que a equipa da troika “tenha também em conta a situação económica e social do país e as consequências daquilo que se passa no resto da Europa”. E espera ainda “uma atitude cooperante por parte da Europa, que nos emprestou o dinheiro”.