Ondas fortes destruíram protecção de marina na Madeira

Capitania da Madeira mantém em vigor aviso de agitação marítima.

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Além da muralha, reforçado em fase posterior à inauguração da marina que desde então continua inoperacional por falta de segurança, o empreendimento público foi também atingido por um desprendimento de grande quantidade de pedregulhos da escarpa sobranceira que danificaram o parque de estacionamento e campo polivalente.

Estas ocorrências voltaram a pôr em causa este polémico empreendimento, não só a localização desta infra-estrutura e fragilidades da infra-estrutura, ficou inoperacional logo depois da sua inauguração realizada antes das eleições regionais de 2004, como também todo o projecto de recuperação das obras marítimas da marina.

Partidos de oposição e ambientalistas têm criticado também o governo regional da Madeira por insistir na canalização de verbas atribuídas no âmbito do Programa de Reconstrução da Madeira – Intempérie 2010 para uma marina que, apesar de ser considerada irrecuperável, já absorveu mais de 110 milhões de euros, apesar do custo inicial ter atingido os 36,4 milhões de euros, sofrendo um desvio de mais 23,7%. Incluindo todas as obras de recuperação, custeadas pelo governo regional, pela Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste e pela referida lei de meios, o custo global da marina ultrapassa os 110 milhões de euros, três vezes o valor inicialmente previsto.

Após visita realizada esta quarta-feira á marina do Lugar de Baixo e à para da Calheta, uma delegação do BE acusou o governo regional de estar a esbanjar o erário público nestes empreendimentos, apontados com “exemplos de desvario” com "milhões de euros deitados borda fora". "Quantos milhões já foram gastos e quantos milhões de euros vamos voltar a enterrar", questiona o líder regional Roberto Almada concluindo que “todo o dinheiro que se jogar pelo mar, sairá de uma forma ou de outra, dos bolsos dos madeirenses".

“Por muito que queiramos, não é possível desviar montantes de investimento de determinadas intervenções para resolver algumas carências que ainda persistem, como as verificadas na habitação”, afirma o vice-presidente do governo madeirense, reagindo às criticas que denunciam o abandono de mais de 150 desalojados passados três anos do temporal que provocou a morte de mais de meia centena de pessoas.

“Apesar do muito que fizemos nesta área, com centenas de realojamentos, reabilitação e construção de habitações, sabemos que é difícil fazer passar esta mensagem às pessoas que ainda aguardam por uma solução definitiva, pois continuemos à espera das verbas do Orçamento de Estado, nomeadamente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana”, justifica ainda Cunha Silva.

A capitania do Funchal, em informação prestada na manhã desta quarta-feira, manteve em vigor o aviso de agitação marítima forte, que provocou estragos não só na marina do Lugar de Baixo, como também na praia artificial da Calheta, na promenade a oeste do Funchal, entre a praia Formosa e a Dica do Cavacas, e nas obras em curso na baía da capital madeirense. O aviso de vento forte que estava em vigor para o arquipélago da Madeira foi cancelado.
 

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