Marcelo diz que Passos devia admitir que Governo tem de mudar de rumo

O comentador político considera o primeiro-ministro "teimoso" e diz que perde por não admitir mudança de política.

Marcelo Rebelo de Sousa
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Marcelo considera que Paulo Portas é o elemento do Governo com “mais sensibilidade política” Pedro Cunha

Marcelo Rebelo de Sousa defende que ficava bem ao primeiro-ministro admitir que o Governo vai ter de mudar de rumo.

O comentador político, no seu espaço habitual de domingo na TVI, referiu-se aos cortes de quatro mil milhões de euros que serão feitos no âmbito da Reforma do Estado, para dizer que não acredita que sejam aplicados já neste ano.

Marcelo acredita mesmo que o Governo de Pedro Passos Coelho conseguirá pelo menos mais um ano para cumprir com as metas do défice impostas pela União Europeia e inscritas no memorando de entendimento com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

“O primeiro-ministro em vez de discutir a mudança de rumo no meio do temporal disse como é que vai ser Portugal depois do temporal”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa. E acrescentou: “Eu acho preferível sempre pôr as cartas na mesa e dizer que isto mudou na Europa e em Portugal e por isso temos de mudar algumas coisas. Só lhe ficava bem dizer isso, admitir que é preciso mudar de rumo, e só perde com o não fazer”.

Ainda sobre o Governo, Marcelo considera que Paulo Portas é o elemento com “mais sensibilidade política” no Executivo e classificou Passos Coelho como “muito teimoso”, sublinhando que o primeiro-ministro e o líder do PS, António José Seguro, estão “condenados a estar mais próximos do que nunca”.

No que diz respeito à manifestação de sábado, o comentador, no mesmo espaço na TVI, classificou-a como “uma manifestação de desilusão”, por oposição ao protesto de 15 de Setembro que foi de “esperança” e que contou com mais gente nova. “A grande diferença foi a de que a manifestação de 15 de Setembro foi uma manifestação de esperança e esta foi uma manifestação de desilusão, mas de revolta, protesto, indignação”, acrescentou o social-democrata, insistindo que agora se sentiu que as pessoas já não acham que o Governo vai cair.