Apoiantes de Isaltino chumbaram proposta sua

Assembleia votou por unanimidade contra proposta aprovada na câmara apenas pelos vereadores do IOMAF.

Todos os deputados da Assembleia Municipal de Oeiras votaram, terça-feira, contra a transferência de 225 mil euros do município para os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento relativos a serviços de segurança prestados pela Polícia Municipal nas instalações dos SMAS.

Ao contrário do que sucedera na reunião de câmara, onde a proposta foi aprovada, em Julho último, com os votos dos vereadores do movimento Isaltino - Oeiras Mais à Frente (IOMAF) e a abstenção dos restantes vereadores, desta vez os deputados da maioria alinharam com a oposição.

"As dúvidas [sobre a proposta] eram tantas em todas as forças políticas" que o chumbo foi inevitável, diz Alexandra Moura, deputada municipal do PS, partido que já havia solicitado um parecer jurídico sobre a proposta. "O parecer", admite, "veio confundir ainda mais" os deputados, o que conduziu a este desfecho. Para a deputada socialista, o chumbo significa que "Paulo Vistas [vice-presidente da câmara e candidato à presidência nas eleições de Outubro pelo IOMAF] está absolutamente sozinho" e, além disso, "é fruto de um império em decadência". "Ele não tem a força nem as pessoas que estiveram 30 anos ao lado de Isaltino", diz, acrescentando que "ninguém lhe reconhece competências." Paulo Vistas representou o executivo camarário na reunião de terça-feira, devido à ausência de Isaltino Morais, em visita oficial a Moçambique.

Contactado pelo PÚBLICO, António Moita, líder da bancada do IOMAF, recusou atribuir um significado político a este chumbo, dizendo que "a proposta não estava apresentada de forma conveniente" e que foi por sua indicação que os eleitos do IOMAF votaram contra. Só se compreendem as "insinuações da oposição", diz, por estarmos em fase pré-eleitoral. António Moita classifica como "completamente absurda" a ideia de que há divisões no IOMAF relacionadas com a aproximação do fim do mandato de Isaltino.