Vice-presidente pede que acabem rumores sobre saúde de Chávez

Em Caracas, já se começa a pensar em novas eleições presidenciais.

Apoiantes de Chávez numa manifestação em Caracas
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Chávez venceu as eleições de Outubro, mas não chegou a tomar posse Carlos Garcia Rawlins/Reuters

O vice-presidente venezuelano Nicolás Maduro pediu que se pusesse um fim aos rumores sobre a saúde do Presidente Hugo Chávez, lamentando que este seja “o presidente mais acossado na história” da Venezuela, declaração que faz eco da expressão já usada pelo director de um dos jornais do país.

Maduro acusou os media internacionais de estarem a executar uma “campanha para destabilizar o país, mentindo sobre Chávez”. “Até onde vão chegar, burgueses? Parem o ataque contra o comandante, parem com os rumores e chega de utilizar uma situação que é delicada para todos para criar desestabilização”, afirmou, citado pelo jornal El Universal.

O vice-presidente, nomeado por Chávez antes de este ter ido para Cuba a 10 de Dezembro para ser operado, visou directamente o jornal espanhol ABC, bem como a estação de rádio e televisão colombiana Caracol. Chamou-lhes “fascistas” e acusou-os de mentir e de não terem “respeito pelo ser humano que está a ser tratado”.

A especulação em torno do estado de saúde de Chávez tem-se avolumado, à medida que aumenta o tempo em que o Presidente venezuelano permanece afastado dos olhos do público. Já não é visto desde que voo para Cuba. Regressou ao país a 18 de Fevereiro, segundo foi anunciado no Twitter.

O Governo garante que Chávez permanece aos comandos do país, apesar de estar internado no hospital. Há uma semana que não é divulgada informação sobre a saúde do Presidente, com as notícias mais recentes a darem conta de uma infecção respiratória.
 
Nesta sexta-feira, o jornal ABC afirmou que Chávez tinha sido transferido “há vários dias” para uma residência oficial na ilha de La Orchila, onde poderia passar os últimos dias em família. A rádio Caracol deu esta informação via Twitter.
 
Em Caracas, o ambiente já parece o de uma campanha eleitoral, descreveu nesta sexta-feira o correspondente da agência Reuters, Andrew Cawthorne. As paredes começam a encher-se de cartazes com o rosto de Nicolás Maduro e a oposição já deu início a reuniões para escolher o seu candidato caso as presidenciais, que tiveram lugar em Outubro, tenham que ser repetidas.