Troika poderá aceitar pequenos ajustamentos ao memorando

Parceiros sociais dizem que a troika está sensível aos efeitos da austeridade no tecido económico e social e poderá aceitar pequenos ajustamentos ao memorando português. Mas até onde está disposta a ir é uma incógnita.

Abebe Selassie recordou que a descida da TSU poderia ter servido de estímulo à economia
Foto
Abebe Selassie diz que é preciso concluir rapidamente o processo de ajustamento Pedro Cunha

Os parceiros sociais saíram entre o satisfeito e o cauteloso do encontro com os representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia. A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a UGT concluíram que poderá haver margem para pequenos ajustamentos. Enquanto a Confederação do Comércio e Serviço (CCP) e a CGTP concluíram que o essencial do memorando é para manter.

“A troika alterou ligeiramente a sua posição em relação à situação portuguesa e reconhece que é necessário conceder crédito às empresas e uma política fiscal mais amiga do investimento nacional e estrangeiro”, frisou o presidente da CIP, António Saraiva.

Já quanto a um eventual alargamento das metas do défice e da aplicação do plano de redução de quatro mil milhões de euros, a CIP encontrou sinais de que poderá haver margem para algumas alterações. “Essa manifestação de vontade não foi verbalizada. Mas os representantes das instituições internacionais deram a entender de forma indirecta que poderão vir a aceitar um alargamento dos prazos, ao referirem que é necessário estabelecer um equilíbrio entre a consolidação e os efeitos que gerou”.

João Proença, líder da UGT, saiu do encontro desta quinta-feira com esperança de que alguma coisa possa mudar. “A troika disse que está preocupada com a situação económica e social e que o défice tenha ultrapassado as previsões e saiu sensibilizada com a linha de orientação comum aos parceiros sociais, de que não é possível continuar a assistir a políticas de ultra austeridade”, destacou.

João Vieira Lopes, presidente da CCP saiu preocupado da reunião desta manhã por não ver qualquer abertura para mudar o essencial do memorando. “Os representantes disseram que estão dispostos a, em função da realidade, fazer ajustamentos. Mas a CCP não fica satisfeita com isso, porque isso não resolve o problema de fundo”, destacou.

“No essencial não houve qualquer flexibilidade e o essencial é o relançamento do mercado interno, criar condições de investimento e alargar significativamente os objectivos de cumprimento do défice e a reestruturação da dívida e dos juros”, frisou João Vieira Lopes.

Mas quanto aos juros, os representantes da troika deixaram claro, segundo Vieira Lopes, de que a taxa aplicada a Portugal "já é muito boa", estando abaixo dos juros que países como a Eslovénia a Itália estão a pagar, para depois emprestarem a Portugal.

Também o líder da CGTP Arménio Carlos desvaloriza um eventual prolongamento do tempo para Portugal atingir as metas do défice. “Por parte da troika não houve rigorosamente abertura nenhuma.Isto não vai lá com mais um ano de prolongamento. No ano passado o Governo alargou o défice para mais um ano, foi por isso que houve menos austeridade?”, exemplificou.

Já quanto à eventual revisão do diploma das compensações, que aponta para uma redução para 12 dias, os representantes da troika garantiram aos parceiros sociais que a questão está a ser discutida com o Governo. “Em relação às compensações,disseram claramente que é uma matéria que está em discussão com o Governo e há empenhamento em encontrar uma solução”, relatou João Proença, da UGT.