Portugal defende prioridade do plano “garantia jovem” aos países sob resgate

Barroso pede aos governos que traduzam acordo para combater desemprego jovem em “acções concretas”. Pedro Mota Soares defende apoio prioritário aos países em maiores dificuldades.

Foto
O Governo grego e a troika avaliaram a redução do número de funcionários públicos Nelson Garrido

Os ministros dos Assuntos Sociais e Emprego da União Europeia (UE) chegaram a acordo nesta quinta-feira sobre a “garantia jovem”, uma iniciativa da Comissão Europeia direccionada para os jovens até aos 25 anos que estão desempregados há, pelo menos, quatro meses. O programa pretende facilitar o acesso a estágios, ofertas de trabalho e formação.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, saudou o acordo alcançado em Bruxelas, apelando aos 27 Estados-membros para que traduzam o compromisso em “acções concretas” o mais depressa possível. O ministro português da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares, defendeu que o pacote acordado deve dar prioridade aos países resgatados, onde se inclui Portugal.

Falando no final da reunião, onde representou Portugal, Mota Soares recordou que, no quadro do orçamento comunitário para 2014/2020 que está a ser negociado com o Parlamento Europeu, um envelope de seis mil milhões de euros destina-se à promoção do emprego.

As atenções devem estar nos países sob “que estão debaixo de assistência financeira, aos países onde este problema [do desemprego] é ainda maior”, defendeu Mota Soares.

Grécia, Espanha, Portugal, Itália, Eslováquia e Irlanda são os seis esatdos com as taxas de desemprego jovem mais elevadas da União Europeia. E, neste grupo, Grécia, Irlanda e Portugal estão sob intervenção externa; Espanha e Itália não estão formalmente sob resgate financeiro, mas viram-se forçadas pelos parceiros europeus a adoptar medidas de austeridade e de controlo orçamental com efeitos igualmente recessivos na economia que agravaram o nível de desemprego, já antes historicamente elevado.

Na UE, o desemprego jovem (dos 15 aos 24 anos) situava-se, em Dezembro, nos 23,4% da população activa, segundo o Eurostat. Os últimos dados da Grécia, de Outubro, apontavam para uma um nível de desemprego jovem de 57,6%. Em Espanha, dados de Dezembro, a taxa estava nos 55,6%. Entre os jovens, Portugal tinha um nível de desemprego de 38,3%, Itália de 36,6%, Eslováquia de 35,9% e Irlanda de 30,2%.

“Os problemas com que muitos países na Europa estão confrontados são semelhantes, nomeadamente o problema de termos hoje um elevado número de cidadãos europeus que não encontram um emprego, principalmente os mais jovens”, declarou o ministro português.

Também o comissário europeu responsável pelo Emprego, os Assuntos Sociais e a Inclusão Social, Laszlo Andor, afirmou estar “muito satisfeito” com a aprovação da proposta da Comissão Europeia, considerando ser “extremamente importante” que os 27 coloquem em prática medidas que tornem a garantia jovem “uma realidade”.

O comissário disse que os fundos europeus podem ser uma ajuda, mas salientou que os Estados-membros devem investir fundos próprios para “evitar custos mais elevados no futuro”.