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Noell S. Oszvald

Noell S. Oszvald e a "poderosa" série de auto-retratos no Flickr

Húngara de 22 anos publicou no Flickr auto-retratos que estão a deixar a "web" boquiaberta. A razão? São demasiado belos e maduros para alguém que fotografa há apenas um ano

Os auto-retratos de Noell S. Oszvald estão a deixar amantes da fotografia boquiabertos. Estão seduzidos e espantados com a maturidade e a força das imagens produzidas pela jovem húngara de cabelos castanhos e corpo esguio. "Poderosas", diz o Demilked. "Inacreditavelmente artísticas", refere o Modern Met.

São três os motivos para tamanho espanto: 1) Noell tem apenas 22 anos; 2) a rapariga começou a fotografar há cerca de 12 meses; 3) a obra de Noell tornada pública é extremamente diminuta, resumindo-se a cerca de vinte fotos divulgadas no Flickr.

Pouco se sabe sobre Noell S. Oszvald. Quase toda a informação que circula na Internet advém de uma entrevista concedida ao My Modern Met. Sabemos que a moça vive e trabalha em Budapeste. E que não gosta de fotografar a cores — Noell acha que a cor pode ser um factor de distracção, a exemplo das roupas. Daí a presença constante do nu, ou semi-nu.

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Há outros elementos recorrentes no trabalho de Noell, como a imagem do pássaro. Símbolo de libertação? Redenção? Não esperem que Noell faça interpretações das fotografias que imagina e executa. Na sua opinião, o artista deve propor imagens cujo significado só ficará completo com o olhar do espectador. Cada um traz dentro de si uma bagagem de frustrações, delírios ou anseios que vai condicionar a leitura de cada fotografia.

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Vejamos um exemplo. A vela derretida sobre ombros femininos pode ser um exercício de auto-punição. Ou apenas a expressão da passagem do tempo. À excepção do título da imagem, Noell não dá pistas de leitura.

Manipulação das imagens

O projecto fotográfico de Noell é claramente conceptual. Ela imagina uma cena e, depois, constrói essa imagem recorrendo à fotografia e técnicas de manipulação digital. Historicamente, o acto de interferir com o real fotografado põe em causa a utopia de uma fotografia pura, livre da mão humana. Por outras palavras, há aqui matéria potencialmente controversa. Noell sabe disso.

A fotografia "Prejudice" ("Preconceito", em português) é um bom exemplo do desconforto que a manipulação ainda gera no mundo da fotografia. "Eu tinha a ideia de 'Prejudice' na minha cabeça muito tempo antes de eu finalmente concebê-la", Noell disse ao My Modern Met, "estava muito hesitante sobre essa imagem porque eu queria que ela tivesse exactamente o aspecto que tem hoje, mas, para conseguir tal composição, eu tive de inserir ali um pássaro numa posição não muito correcta." Noell teve então medo de que as pessoas a criticassem e que atribuíssem a imprecisão à ignorância da autora. "Tive medo de ser julgada enquanto estava a trabalhar numa imagem sobre o preconteito... que ironia!"

Noell mostra-se hesitante não só quanto à manipulação mas também à forma como se expõe em cada um dos seus auto-retratos. A autora sente que algumas imagens são tão íntimas que, por vezes, há um desconforto implícito no acto da publicação. Noell já chegou, por exemplo, a remover a imagem "Prejudice" da sua conta no Flickr talvez por sentir que a fronteira entre o público e o privado estava a esbater-se.