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Consumir café não dá mais energia nem ajuda a perder peso

Estudo da Universidade Técnica de Lisboa desmistifica a ideia de que beber vários cafés ajuda a emagrecer e a ter mais energia

O consumo moderado de cafeína — isto é, cerca de cinco cafés por dia — pode reduzir o tempo de sono, mas não dá mais energia nem ajuda a perder peso, revela um estudo realizado por investigadores da Universidade Técnica de Lisboa.

A investigadora Analiza Silva explicou à Lusa que se tratou de um estudo clínico, durante o qual seguiram cerca de 30 homens fisicamente activos e saudáveis, em que o protocolo pressupunha que cada um tomasse uma dose moderada de cafeína, por dia.

“Cerca de cinco miligramas por cada quilo de peso, o que representa mais ou menos cerca de cinco cafés por dia. São pessoas que não estão habituadas a cafeína e passaram por duas condições: uma condição em que era a toma de cafeína e outra condição em que tomavam placebo, algo que não era cafeína”, adiantou a investigadora.

Metabolismo de repouso sem alterações

De acordo com Analiza Silva, estas duas condições foram feitas de forma aleatória, ou seja, nem investigadores, nem as pessoas submetidas à investigação sabiam o que era tomado ou quando era tomado. Essa toma de cafeína ou de placebo era feita durante quatro dias, seguida de três dias de intervalo, num total de onze dias.

“Nós conseguimos concluir que a toma da cafeína não alterou o metabolismo de repouso — o dispêndio energético que as pessoas têm quando estão em repouso — e também não alterou o dispêndio energético, em actividade física”, revelou a investigadora.

Acrescentou ainda que a toma de cafeína também não teve qualquer influência na quantidade de actividade física que aquelas pessoas fizeram, ou seja, não foi pela toma de café que fizeram mais exercício físico ou passaram menos tempo de forma sedentária.

“A única diferença que vimos, significativa, sobre estes sujeitos, foi nas horas de sono — verificámos que, sob o efeito da cafeína, estes 30 homens, fisicamente saudáveis, diminuíram o seu sono diário em 45 minutos”, revelou. Este controlo do sono, explicou a investigadora, foi feito através de sensores de movimentos combinados com monitorização da frequência cardíaca diária, ao longo do total dos dias.

Analiza Silva defendeu que estes resultados servem para desmistificar “qualquer ideia que as pessoas tenham, relativamente a um efeito da cafeína no gasto energético”. “Não é por tomarmos café que vamos ter mais energia e, portanto, ajudar na manutenção do nosso peso”, esclareceu a investigadora.

A investigadora e professora da Universidade Técnica de Lisboa sublinhou que este estudo é inédito pelo facto de, pela primeira vez, se ter estudado de forma tão prolongada o efeito da cafeína, já que os estudos feitos até agora analisavam períodos de toma muito curtos, muitas vezes de horas.

Analiza frisou ainda que os resultados são apenas válidos para homens fisicamente ativos e saudáveis, com idades entre os 20 e os 39 anos, já que foi este o alvo do estudo. A investigação foi entretanto publicada na revista “Applied Physiology, Nutrion, and Metabolism”.