Salas da Socorama sem luz e ainda sem data de reabertura

Empresa não pagou a conta da electricidade e por isso as salas ficaram sem energia e tiveram de ser encerradas. Não se sabe ainda quando vão abrir.

A Socorama encerrou 66 salas em Janeiro, 49 das quais no final do mês
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Os cinemas de São João da Madeira, encerrados no final de Janeiro, vão reabrir sob a chancela Cineplace Rui Farinha

O histórico Cinema Londres, em Lisboa, está fechado desde quinta-feira porque a empresa que o detém, a Socorama, que pediu insolvência este mês, não pagou a conta da electricidade. O mesmo se passa nos cinemas de Cascais, Barreiro e Setúbal. O encerramento não é definitivo mas ao PÚBLICO a empresa não soube avançar com uma data para a abertura.

Enquanto a conta não for paga, estas salas vão continuar sem electricidade e por isso ficarão fechadas. Ao PÚBLICO, João Paulo Abreu, administrador da Socorama, que em Janeiro anunciou o fecho de 66 salas em todo o país e o despedimento colectivo de 98 pessoas, garantiu que o encerramento das salas de cinema em questão não é irrevogável.

“Esperamos restabelecer a energia o mais rapidamente possível”, disse o administrador, explicando que a empresa está neste momento à procura de alternativas para fazer face a esta dívida. “Estamos à procura de soluções no mercado”, acrescentou o responsável, não conseguindo por isso adiantar uma data para a reabertura das salas.

A Socorama, segundo maior exibidor no mercado português, apresentou no dia 12 de Fevereiro o seu pedido de insolvência por dívidas entre os 12 e os 14 milhões de euros. O objectivo deste pedido é, segundo João Paulo Abreu, preparar um plano de recuperação para manter as 36 salas que a empresa continua a deter e ainda com a marca Castello Lopes Cinemas, que adquiriu à histórica família de produtores e exibidores cinematográficos no final dos anos 1990.

Apesar de ainda não existir uma data para a reabertura das salas, o administrador assegura que o plano de reestruturação da empresa não está em causa, esperando apresentá-lo em breve.

Na semana passada, quando estas salas foram encerradas, António Caetano, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), criticou, em declarações ao Correio da Manhã, a actuação da Socorama em todo este processo, queixando-se da falta de perspectivas em relação à reabertura das salas. Caetano falou numa “gestão ruinosa e desastrosa ao longo dos últimos anos”. O PÚBLICO tentou falar com o responsável do SINTTAV mas não obteve, ainda, resposta.